Os últimos anos têm sido de muitas mudanças para a Dell. Em 2013, a fabricante voltou a ser uma companhia de capital fechado em um acordo que movimentou US$ 24,9 bilhões. De lá para cá, a empresa mostra ao mercado uma estratégia totalmente renovada. Parte dessa virada está relacionada a consolidação da companhia como fornecedora de um pacote completo de soluções, que vai do hardware, passando pelo software, até serviços. Algo que a companhia construiu ao apostar em parcerias com outras fornecedoras de tecnologia como VMWare e Microsoft.
“Queremos democratizar a TI. E como fazemos isso? Ajudando nossos clientes a mover da TI tradicional, baseada em silos, para uma empresa que maximiza seus objetivos financeiros”, afirmou Armughan Ahmad, vice-presidente Global de Soluções Empresariais e Alianças da Dell, em entrevista exclusiva ao portal IT Forum 365.
E na jornada pela democratização da TI, o executivo afirma que a Dell pode ir além. “Como uma empresa privada, a Dell pensa na estratégia de longo prazo e assume riscos com foco no cliente”, contou. E o que a faz acreditar que ela ocupa posição privilegiada é sua trajetória bem-sucedida. “Assim como fizemos com o segmento de computadores, quando estabelecemos aliança com a Microsoft para dar escolha aos clientes, agora fazemos o mesmo com servidores”, assinalou.
A chave desse direcionamento, de acordo com o executivo, é apostar em parcerias. “Temos aliança com empresas como Microsoft, VMWare, SAP e Nutanix, para gerenciar o ambiente em vez de gerenciar soluções em silos”, destacou, acrescentando que tradicionalmente as fabricantes concorrentes somente deixam seus parceiros ingressaram até uma camada em suas soluções e que a Dell resolveu trilhar o caminho oposto. “Falamos para eles: ‘aqui está nosso hardware, agora vá fundo’. Só assim é possível ser ‘software defined’ e ter um data center realmente escalável”, explicou.
Para prover soluções definidas por software, Ahmad afirmou que a Dell escolheu seis áreas-foco que resultam em pacotes de soluções que já foram testadas pela fabricante e que economizam Opex, capital utilizado para manter ou melhorar os bens físicos de uma empresa. As áreas citadas pelo executivo são comunicação unificada e colaboração; Business Process Application; virtual desktop infrastructure (VDI); cloud computing; Big Data e analytics e, por fim, high performance. “Mais de 75% do orçamento de TI vai para Opex, para manter a operação rodando. Queremos ajudar nossos clientes e inverter essa conta e usar grande parte do budget para inovar”, contou.
Essa estratégia, disse, permite entregar também soluções em linha com empresas de todos os setores da economia e de qualquer porte. “Estamos prontos para oferecer o que chamamos de ‘future ready’. Toda empresa quer estar pronta para o futuro. Ninguém quer saber as tecnologias que estão por trás e sim a experiência. É nisso que pensamos”, afirmou, acrescentando que isso somente é possível quando se tem parceiros por perto. Para ele, quando se trabalha com empresas é possível disruptar mais rapidamente do que sozinha.
Com a mudança para o universo digital e a rápida evolução dos negócios, Ahmad acredita que se a TI continuar com os comportamentos do passado, não vai sobreviver. Toda a indústria terá de se adaptar, de acordo com ele. “Precisamos revistar nossos valores, nossa forma de conduzir os negócios, porque o mundo está mudando. Não dá mais para pensar somente na rede, somente no storage, somente no servidor. Isso é viver em silos. Pensar de forma integrada reduz custos e libera recursos para, de fato, inovar”, finalizou.