a digitalização se encaixa com a realidade jurídica brasileira, permitindo que as empresas reduzam custos sem abrir mão do cumprimento da lei.
O cenário da transformação digital no Brasil ainda não é igualitário em todas as indústrias. Há aquelas com processos em andamento e outras com não tanta pressa.
Como exemplo, uma pesquisa da E-Consulting mostra que algumas relatam a falta de mão de obra como obstáculo. Em outra ponta, dados do ICTd revelam que, no setor automotivo, 65,70% das empresas acreditam estar longe ou muito longe da transformação digital.
O sistema econômico brasileiro é formado, entre outros, por 1,2 milhão de empresas, segundo levantamento do Serasa Experian. E estes negócios, independentemente do tamanho, estão buscando mais digitalização.
O processo envolve a adoção de plataformas de automação, gerenciadas em ambientes virtuais. Segundo a IDC, numa escala de 0 a 100 pontos, as empresas brasileiras têm um nível de digitalização de 67,5 pontos.
As soluções digitais têm impactado também negócios de pequeno porte. Segundo o Sebrae, no estudo Transformação Digital na MPE, 90% das micro e pequenas empresas têm ao menos um celular no negócio. Já 74% delas possuem computadores para a gestão do negócio.
A digitalização tem ganhado mais força, entre outros, na gestão de contratos, e o motivo está na agilidade. Adriana Bombassaro, diretora de produto da Teclógica, diz que esta realidade tem se tornado mais comum.
Ela informa que, por se tratar de um trabalho que “envolve diversas pessoas e tem várias etapas, da elaboração até a assinatura de um documento jurídico”, a digitalização impõe um novo parâmetro.
Com a tecnologia, todos esses processos passam para um “ambiente online, com histórico de ações, transparência e segurança”, diz Bombassaro.
Para a diretora, a digitalização se encaixa com a realidade jurídica brasileira, permitindo que as empresas reduzam custos sem abrir mão do cumprimento da lei.
“A própria Medida Provisória da Liberdade Econômica prevê que muitos documentos poderão ser arquivados em ambiente web e não mais fisicamente”, afirma.
Bombassaro afirma que as soluções de segurança de assinatura eletrônica ou digital de documentos “garantem a validade jurídica dos mesmos”, tendo em vista que “há respaldo legal para o uso desse tipo de tecnologia no artigo 225 do Código Civil e na Medida Provisória 2.200-2/2000”.
Segundo a Associação Brasileira de Gerenciamento de Documentos (ABGD), grandes organizações perdem um documento a cada 12 segundos. Seus profissionais, como consequência, perdem (em média) duas horas diárias de trabalho em busca de contratos, notas fiscais e outros documentos em e-mails ou locais físicos.
Bombassaro reforça que o tempo “que pode poderia ser usado em estratégias de negócios e crescimento” acaba sendo “gasto em atividades burocráticas”. “A digitalização na gestão de contratos e demais documentos jurídicos muda totalmente essa realidade e leva as empresas para um novo patamar, alinhado com a transformação digital”, completa.