O terceiro dia da conferência World Partner Conference contou com uma apresentação especial para falar sobre segurança – um dos pilares que a Microsoft tem investido fortemente nos últimos anos. O assunto foi tratado por Brad Smith, vice-presidente-executivo e conselheiro-geral de assuntos jurídicos e corporativos da companhia, que foi bastante aplaudido pelos mais de 25 mil membros da comunidade e parceiros que representavam o público presente no keynote da WPC 2015.
Smith, que subiu pela primeira vez ao palco de uma WPC, iniciou seu discurso relembrando diversos fatos que aconteceram nos últimos tempos para dar suporte ao seu ponto principal: de que é preciso trazer a confiança como core da tecnologia.
Olhando para janeiro de 2015, mais precisamente o dia 21, Smith contou sobre o dia que a Microsoft anunciou o Windows 10 e as HoloLens. Ao mesmo tempo, em São Paulo, continuou, a polícia cercou o apartamento de um dos executivos da empresa, exigindo a entrega de dados do Skype de um cliente brasileiro por conta de uma investigação.
Outro dia lembrado pelo executivo foi 8 de janeiro, dia que a publicação francesa Charlie Hebdo foi atacada e onde “indivíduos foram mortos por apenas expressarem seus pontos de vista”. No mesmo dia, a Microsoft novamente foi contatada pelo FBI, que solicitou com urgência a entrega de dados de dois dos terroristas participantes do ataque, por possuírem contas de e-mail na Microsoft – pedido que a empresa atendeu 45 minutos depois, dando ao governo francês a possibilidade de tomar providências. No dia 11, mais de 2 mil pessoas foram às ruas para dar suporte à liberdade de expressão, observou Smith.
Todos os fatos mostrados ao público aconteceram em apenas um mês, reforçando a velocidade com que a tecnologia avança e a urgência com que medidas de proteção devem ser implementadas.
A pergunta que permanece então, de acordo com Smith, é “o que está acontecendo?”. Há um padrão que está se formando, disse, no qual as empresas criam propostas para fazer a mesma coisa: manter dados criptografados e protegidos, regidos pelas leis de seu país de residência.
Graças a Edward Snowden, o mundo aprendeu o que estava acontecendo e aprendeu a ter mais confiança na tecnologia e para Smith, o ciberespaço, mais do que nunca, se tornou um lugar no qual as pessoas vão para se organizar e definir o que irá acontecer no mundo real – e isso explicaria o motivo pelo qual tantos governos estão tomando partido e medidas cabíveis para garantir a segurança – não apenas cibernética, mas também de países como um todo.
Com isso em mente, o executivo lançou outra questão que ele mesmo respondeu um tempo depois: o que pode ser feito? Primeiro, é preciso “transformar valores em princípios e, depois, princípios em comprometimento”.
Ou seja, identificar o que importa e fazer o que estiver ao alcance para que isso se torne algo imperecível. “Precisamos que a tecnologia avance de maneira que valores possam durar por tempo indeterminado. Tais valores são nosso norte”, afirmou Smith. “Todos nós queremos viver em um mundo no qual a segurança nacional possa nos manter protegidos e, então, privacidade e liberdade de expressão também estão entre os valores que devem permanecer, bem como o fato de que governos irão respeitar os limites de outras administrações.”
O executivo, por fim, ressaltou o comprometimento da Microsoft com os dados de clientes e usuários, afirmando também a necessidade de avançar com o quesito transparência. “Deixem os consumidores saberem o que estamos fazendo, as conquistas que temos para garantir a proteção e privacidade dos usuários, para garantir que eles saibam exatamente o que está sendo feito com os dados deles”, pediu ao público.
“Tudo isso não é apenas sobre o futuro da tecnologia, mas sim sobre criar confiança em tecnologia”, disse, acrescentando que, trabalhando juntos, é possível criar um mundo no qual pessoas possam acordar e saber que elas podem confiar nas tecnologias que estão usando. “E, mais do que isso, queremos criar um mundo no qual a tecnologia possa continuar de dando poder ao mundo”, encerrou.
*A jornalista viajou a Orlando (EUA) a convite da Microsoft