Os últimos anos marcaram o surgimento da economia on demand, colaborativa, partilhada, ou peer-to-peer. Independentemente da definição, a tendência tem capturado a imaginação e a necessidade das pessoas.
Em um relatório de 2013, o analista Jeremiah Owyang argumentou que a economia colaborativa é a evolução da economia baseada na internet das duas últimas décadas. O one-to-many web 1.0 fez muita informação acessível para os indivíduos, mas o controle permaneceu na maior parte nas mãos de instituições. Ele foi seguido pela economia do many-to-many web 2.0, na qual indivíduos podem facilmente compartilhar conteúdo e opiniões uns com os outros. Agora, a fase on demand, ou sob demanda, na economia da internet está permitindo que indivíduos vão muito além de compartilhar informações.
Owyang alertou em seu texto: “Uma economia inteira está surgindo em torno da troca de bens e serviços entre indivíduos, em vez de empresas aos consumidores”. E o que está acontecendo? Isso está redefinindo as relações de mercado entre vendedores e compradores tradicionais, ampliando modelos de operação e consumo, e impactando nos modelos de negócios e em ecossistemas.
Em 2011, a revista Time nomeou a economia compartilhada uma das dez ideias que vão mudar o mundo. “Compartilhar e alugar mais coisas significa produzir e desperdiçar menos coisas, o que é bom para o planeta e ainda melhor para a autoimagem. Mas o benefício real do consumo colaborativo acaba por ser social. Em uma era na qual as famílias estão espalhadas e podemos não conhecer as pessoas da rua, compartilhar coisas permite fazer conexões significativas”, disse a publicação.
O Financial Times refletiu sobre o que significa executar “um modelo de negócios colaborativo em uma estrutura capitalista. Os dois são mesmo compatíveis? Ou será que existe um conflito fundamental no coração de uma indústria que prega a colaboração, mas, por ser regida pelo dinheiro do Vale do Silício, também precisa lucrar. Isso é viável?”.
Enquanto isso, a economia sob demanda continua a evoluir. Isso é bom ou ruim para o mundo? Isso significa que estamos vendo o surgimento de uma espécie medieval do feudalismo, ou simplesmente há uma mão invisível do mercado criando uma nova forma para milhões de pessoas encontrarem trabalho? O The Economist escreveu que a ascensão da economia on demand vai remodelar a estrutura das empresas e a natureza do trabalho.
A reportagem descreveu que no início do século 20 Henry Ford combinou linhas de montagem com o trabalho em massa para construir carros mais baratos e mais rápidos – transformando assim o automóvel de um homem rico em transporte para as massas. Hoje, um grupo crescente de empresários está se esforçando para fazer o mesmo para os serviços.
Independentemente de algumas pessoas gostarem ou não, essa é uma tendência inevitável, argumentou recente artigo do The New York Times, observando que a Uberização da economia “não é tanto uma inovação no mercado. A economia dos Estados Unidos em 2009 estava se tornando rapidamente uma economia Uber, com dezenas de milhões de norte-americanos envolvidos em alguma forma de freelancer, contratação de trabalho temporário ou terceirização”.
E como a sociedade deve responder a essa nova tendência? Embora seja muito cedo para dizer, uma série de ideias estão sendo lançadas. Artigo do Wall Street Journal oferece uma sugestão intrigante. “Motoristas do Uber e Lyft, estão aparentemente ok com o salário que recebem por conta da flexibilidade de trabalho. Eles não são funcionários nem freelancers”, observa a publicação.
“Que tipo de mundo o modelo on demand pode criar?”, pergunta o The Economist. “Os pessimistas temem que o mundo se reduza ao status de estivadores do século 19, lotando o cais ao amanhecer esperando para serem contratados. Otimistas sustentam que ela vai inaugurar um mundo no qual todos podem controlar suas vidas, fazendo o trabalho que eles querem, quando querem. Ambos os lados precisam se lembrar de que a economia sob demanda não está introduzindo a serpente do trabalho informal no jardim do pleno emprego. Está explorando uma força de trabalho casual de formas que vão amenizar alguns problemas mesmo que agrave outros”.
Com o tempo a concorrência vai forçar as empresas a melhorar os direitos de trabalhadores e usuários.