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Empresas rebatizam iniciativas de DEI em meio à pressão política no governo Trump

Sob crescente escrutínio e mudanças regulatórias, corporações nos EUA estão renomeando programas de diversidade

Publicado:
01/04/2025 às 14:36
Redação
Redação
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5 minutos
Imagem de Donald Trump durante sua cerimônia de posse como presidente dos Estados Unidos, levantando a mão direita enquanto faz o juramento oficial. Ele está rodeado por familiares, autoridades e convidados, incluindo Melania Trump ao seu lado, com um traje formal e chapéu, em um ambiente solene (trolls, dei)
Donald Trump toma posse como presidente dos EUA pela segunda vez (Imagem: Congresso americano/Creative Commons)

Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma ordem executiva em janeiro encerrando oficialmente os programas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) no governo federal dos EUA, grandes empresas estão mudando a linguagem — mas não abandonando as práticas.

A sigla tornou-se politicamente carregada, e, para evitar repercussões legais ou de imagem, companhias estão rebatizando seus esforços em torno da inclusão com novos termos como “cultura”, “oportunidade”, “aprendizado” e “experiência”.

Reportagem da CNBC, assinada por Jennifer Elias e Annie Palmer, mostra que a reconfiguração do DEI nas empresas tem ganhado força em 2025, especialmente após ações diretas da nova administração contra programas considerados “discriminatórios ao setor privado”.

Segundo a Bloomberg, quase 50 empresas já estão sob investigação federal — a Walt Disney Company entre as primeiras — e entidades como a FCC notificaram organizações sobre possíveis violações às novas regras.

Leia também: Mara Maehara, a CIO que trocou os palcos pela TI e brilhou nos dois

Google, Amazon e JPMorgan: mudança de nome, não de propósito

O Google, por exemplo, suspendeu metas aspiracionais de contratação de grupos sub-representados e reestruturou seus programas internos após a ordem executiva.

Ainda assim, Sundar Pichai, CEO da empresa, afirmou em reunião com funcionários que a missão de construir uma força de trabalho representativa segue inalterada. “Nossos valores são duradouros, mas precisamos cumprir as diretrizes legais”, disse.

A chief diversity officer da empresa, Melonie Parker, teve seu cargo renomeado para vice-presidente de engajamento dos Googlers. Treinamentos específicos em DEI foram descontinuados, e a empresa está revisando todas as iniciativas sob a lente do novo cenário jurídico.

A Amazon, por sua vez, fundiu equipes globais de diversidade sob o nome “Inclusive Experiences & Technology” e removeu menções explícitas a diversidade e inclusão de seu relatório anual e de seu site corporativo. Segundo o CEO, Andy Jassy, a revisão faz parte de cortes mais amplos de custos: “Tínhamos cerca de 300 programas na área. Eliminamos os que não geravam valor e reforçamos os que funcionavam.”

Já o JPMorgan substituiu o termo “equidade” por “oportunidade” em seu reposicionamento estratégico, enquanto o Walmart passou a usar o slogan “Walmart para todos” em vez de DEI.

Termos em mutação, trabalho contínuo

Consultorias que atuam com diversidade também estão adaptando suas comunicações. A Paradigm, fundada por Joelle Emerson, deixou de usar DEI como palavra-chave em seu site, optando por uma abordagem mais descritiva. “O termo DEI começou a carregar muita bagagem. Achamos melhor sermos mais precisos sobre o que fazemos”, disse Emerson à CNBC.

Em relatório recente, a Paradigm identificou uma queda de 22% no uso de palavras como “diversidade” e “DEI” nas empresas da Fortune 100 entre 2023 e 2024, e um aumento de 59% em termos como “pertencimento”.

Para empresas como a consultoria Brij The Gap, esse reposicionamento é questão de sobrevivência. A fundadora Devika Brij relatou que alguns clientes reduziram os orçamentos de DEI em até 90% desde 2023.

Ajustes legais e práticas mais precisas

Apesar do cenário politicamente delicado, especialistas ouvidos pela CNBC afirmam que a demanda por práticas inclusivas segue firme — inclusive por parte dos trabalhadores. Pesquisa do Pew Research de 2023 mostrou que 86% dos funcionários têm visão favorável ou neutra sobre ações de DEI.

Empresas agora estão adotando métricas mais sofisticadas. Em vez de apenas rastrear diversidade de contratação, medem taxas de promoção e retenção por grupo demográfico. Outras passaram a exigir redações para acessar programas antes voltados a grupos raciais, como alternativa à categorização direta.

Segundo Aubrey Blanche-Serrallano, da Culture Amp, “diversidade é essencial, mas o termo DEI acaba ofuscando o trabalho real”. Sua empresa está ajudando clientes a medir riscos legais e reputacionais com uma ferramenta de avaliação que abrange cinco dimensões: compliance, reputação, cultura, operação e finanças.

Y-Vonne Hutchinson, CEO da ReadySet, reforça que as empresas precisam pensar estrategicamente sobre como equilibrar o risco regulatório com a necessidade de se manterem relevantes para consumidores diversos. “Empresas viáveis têm de pensar num público global”, disse.

Em defesa do significado original

No SXSW, evento de inovação que aconteceu em março nos EUA, um painel originalmente focado em bem-estar corporativo foi renomeado para “O local de trabalho pós-DEI”. A mudança provocou desistências — inclusive da Google e da Oracle. “Essa conversa ficou nuclear”, disse a moderadora do painel, Diana Ransom, da Inc. Magazine.

Ainda assim, vozes como a da empreendedora Fran Harris defenderam o uso contínuo do termo. “DEI significa garantir oportunidades justas e equitativas para todos. Precisamos lembrar às pessoas que DEI não é só uma sigla — é o trabalho”, disse.

Para muitos especialistas, o que está em curso não é o fim da diversidade corporativa, mas sua reinvenção. A pressão externa está forçando as empresas a irem além da performance simbólica e a desenvolverem iniciativas mais intencionais, com impacto real.

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