O que estabelece a longevidade de uma empresa é o reconhecimento de sua relevância pela coletividade. O conceito resume as características de companhias que, não só se mantêm no mercado, mas conseguem crescer em meio a mudanças tecnológicas, econômicas, políticas e culturais.
Emerson de Almeida, presidente da Fundação Dom Cabral e autor do livro “Fundamentos da Empresa Relevante”, principal palestrante do Business Forum 2007, citou algumas qualidades para que se alcance um grau de relevância da sociedade a exemplo de organizações como Hering, Karsten e Gerdau – que atuam há mais de cem anos no Brasil.
A primeira delas é que essas empresas se guiam por valores e princípios e menos por objetivos financeiros. Dessa forma, elas organizam-se mais como uma comunidade e o futuro da companhia confunde-se com o futuro das pessoas.
Elas também priorizam a diferenciação ao invés da competição. “Não há interesse em aniquilar o concorrente, mas em fazer coisas que outros não estão fazendo”, explica Almeida. Nesse movimento, enxergam oportunidades ao invés de dificuldades e mostram-se otimistas e confiantes no que fazem.
De acordo com Almeida, as empresas longevas criam espaços internos para o compartilhamento do conhecimento, trabalham com o cliente – e não para o cliente – procuram melhorar o ambiente externo, criam modos de lidar e crescer com as crises e têm o cuidado de desenvolver novas lideranças.
Essas características podem ser a chave para que as empresas fujam da tendência de mortalidade das companhias no Brasil. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), 59,9% das empresas constituídas e registradas nas juntas comerciais dos Estados nos anos de 2000, 2001 e 2002 encerraram as atividades antes dos quatro anos de existência.