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Empresas unem-se para garantir rastreabilidade de espécies da Mata Atlântica

Associação Brasileira de Automação-GS1Brasil, a PariPassu, a Zebra Technologies e a 3M são as mais novas parceiras do Legado das Águas

Publicado:
03/09/2018 às 14:20
Leitura
5 minutos
Empresas unem-se para garantir rastreabilidade de espécies da Mata Atlântica

A Associação Brasileira de Automação-GS1Brasil, a PariPassu, a Zebra Technologies e a 3M são as mais novas parceiras do Legado das Águas – maior reserva privada de Mata Atlântica do Brasil, com 31 mil hectares, administrada pela Reservas Votorantim, gestora de ativos ambientais da Votorantim S.A.

Essa união viabilizou o projeto Código Verde, que tem o objetivo de implantar o processo de rastreabilidade automatizado no Viveiro de Mudas da Reserva, tornando possível garantir o padrão de qualidade durante todo o processo de manejo da muda, da coleta na matriz até o destino final. A identificação das matrizes é um recurso essencial para garantia da variabilidade genética que está vinculada ao sucesso dos projetos de reflorestamento e paisagismo.

O projeto é a prova de que é possível contribuir para a conservação da natureza por meio da integração com a tecnologia. Foi elaborado e colocado em prática em tempo recorde: em menos de um ano, definiu-se tecnologia, protocolos, modelo de rastreamento, logística e método de comunicação.

“Entendemos que este é um projeto inovador em termos globais, pois os padrões GS1 identificam, prioritariamente, itens comerciais. Rastrear plantas nativas é algo inédito na GS1. Além disso, no aspecto ambiental, não temos conhecimento de iniciativas similares que tenham essa aplicabilidade e esse viés de inovação”, afirma Herbert Kanashiro, analista de sustentabilidade da GS1 Brasil.

Localizado a menos de 200 Km da capital paulista, entre os municípios de Juquiá, Miracatu e Tapiraí, o Legado das Águas atua em várias frentes da nova economia, entre elas o Viveiro de Mudas, onde são produzidas espécies nativas destinadas ao paisagismo e ao reflorestamento de áreas degradadas. A área do viveiro é de 1,5 mil metros quadrados com capacidade para produzir 200 mil mudas por ano.

“Inaugurado há quase dois anos, nosso viveiro tem a proposta de ser um importante polo ambiental e social, destinado ao desenvolvimento econômico local aliado à conservação desse bioma tão ameaçado. Agora, com o projeto Código Verde, agregamos mais valor à nossa atuação, oferecendo aos clientes mudas de qualidade com garantia de origem, ou seja, quem comprar terá a certeza de que estará contribuindo para manter a Mata Atlântica em pé”, afirma Frineia Rezende, gerente-executiva da Reservas Votorantim.

De acordo com João Carlos de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, além de contribuir em um projeto de conservação de uma área que representa 1,5% dos 9% restantes da Mata Atlântica do estado de São Paulo, a entidade mostra que a tecnologia pode contribuir para viabilizar a sustentabilidade. “O Viveiro de Mudas passa a usar a automação garantindo que todas as plantas cultivadas e comercializadas tenham procedência comprovada”. Feito antes manualmente, o processo de rastreabilidade de cada muda das espécies da Mata Atlântica agora é automatizado no padrão GS1, usado em todo o mundo.

Parceria

Para que a solução fosse completa, os parceiros envolvidos no projeto entraram de forma voluntária, sem custos, com a sua respectiva tecnologia. A PariPassu – especializada no desenvolvimento de soluções para gestão agrícola, rastreabilidade, recall e gestão da qualidade – aperfeiçoou-se para rastrear mudas da Reserva.

Implantou no projeto seu aplicativo para smartphone CLICQ, que faz automação da inspeção e controle de qualidade. A partir daí, coletam-se informações que são analisadas para registro em tempo real das etapas, desde a coleta das sementes até a venda das mudas. “Participar deste projeto foi mais uma forma de aplicar o nosso propósito, que é inspirar as pessoas e a sociedade para uma vida mais consciente e sustentável através da automação”, diz Innez Mota, gestora de Customer Success da PariPassu.

A Zebra Technologies forneceu dispositivos móveis robustos para leitura de códigos de barras e impressoras, criados para funcionar em ambientes hostis como florestas. Os dispositivos da Zebra são responsáveis pela coleta e processamento das informações de localização por GPS, leitura de códigos de barras e captura de imagens de alta qualidade como parte da solução PariPassu-3M.

“A tecnologia pode ser benéfica para a natureza e preservação da nossa biodiversidade. Temos orgulho de apoiar esse projeto com soluções de visibilidade em tempo real que ajudarão a reduzir os efeitos ambientais na Mata Atlântica”, afirmou Vanderlei Ferreira, gerente geral da Zebra Technologies Brasil.

A 3M do Brasil forneceu as etiquetas. Um QR Code possibilita que os coletores de dados da Zebra Technologies registrem os dados das sementes que serão cultivadas e os transmitam para o sistema automatizado. A ideia de se usar um padrão global de identificação no processo tem como objetivo facilitar a comunicação de dados em todas as etapas da vida das mudas e facilitar as informações de procedência. Trata-se de um projeto que pode ser reaplicado em qualquer bioma do mundo.

“Como nosso portfólio contempla soluções para a identificação das árvores matrizes de onde são colhidas as sementes e, posteriormente, dos viveiros de mudas – o que possibilita a rastreabilidade das plantas –, decidimos participar deste importante projeto, em busca da conservação da Mata Atlântica e melhoria da qualidade de vida das pessoas e de toda a sociedade”, comenta Milton Andrade, gerente nacional de vendas da 3M do Brasil.

Para a implementação da automação, foram adotados os padrões globais GS1 de identificação e serviços. A identificação das espécies é feita com o GTIN (Número Global do Item Comercial) e a localização das matrizes com aplicação do GLN (Número Global de Localização). Ambos os padrões são cadastrados no CNP (Cadastro Nacional de Produtos).

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