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  3. Entrevista: Motorola amplia equipe para atender governo

Entrevista: Motorola amplia equipe para atender governo

Publicado:
18/02/2009 às 11:19
Leitura
8 minutos
Entrevista: Motorola amplia equipe para atender governo

A Motorola reconhece que a crise econômica tem criado algumas dificuldades, principalmente, no primeiro trimestre de 2009. “Mas continuamos otimistas”, ressalta Eduardo Stéfano, vice-presidente de governo e empresas para o Brasil e Cone Sul. Em entrevista ao IT Web, Stéfano falou sobre a ampliação da equipe de atendimento ao governo, avaliou o mercado brasileiro e comparou com os demais países (Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai) que estão sob sua tutela. O executivo falou também sobre o processo licitatório e, apesar de criticar a morosidade, teceu elogios à atuação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

IT Web – O foco no Brasil vai ser governo?

Eduardo Stéfano – Não vai ser somente governo. Nosso foco é, sem dúvida, clientes governamentais, mas mercados verticais têm sido uma área de forte atuação nossa. Nós atendemos mercados verticais por meio de uma estrutura direta, tenho uma equipe de ataque direto a alguns grandes clientes, como Petrobrás, Vale do Rio Doce. Atendo também muitos clientes verticais através da minha estrutura de canais.

IT Web – Mas há uma atenção especial ao governo?

Stéfano – Atenção especial sempre foi dada. Acho importante ressaltar que estou capacitando e estruturando um número maior de profissionais para atender mais Estados diretamente. Eu atendia poucos Estados no Brasil e hoje eu tenho uma estrutura que consigo atender, principalmente no âmbito da segurança pública, os principais Estados do País.

IT Web – E segurança tem sido a principal demanda ou há algumas outras áreas que tem tido crescimento?

Stéfano – Na área de governo a segurança pública tem demandado muitas oportunidades. Mas vejo outras áreas do governo que buscam automação e melhorias do processo, fazendo investimentos. A área de saúde é um exemplo disso, através de soluções de banda larga sem fio. A gente também tem prospectado e desenvolvido projetos para a área de saúde, nos âmbitos municipal e Estadual.

IT Web – E em relação aos outros países que você cuida, há uma movimentação forte também para o setor de governo ou a dinâmica é outra?

Stéfano – Cada mercado tem suas particularidades. O mercado do Chile, por exemplo, é muito voltado às mineradoras. É um país muito desenvolvido na extração de cobre, então você tem muitas mineradoras e é um segmento que a gente atua fortemente.

A segurança pública nesses países é um pouco diferente do Brasil, até pelo tamanho dos países. Então, por exemplo, você tem na Argentina a Polícia Federal na mesma cidade em que a Policia de Buenos Aires está. Ou seja, a capital do país é também a principal cidade. Então, quando você adota uma solução para Polícia Federal, você, automaticamente, está contemplando a polícia local. Diferente do Brasil que tem 27 Estados, níveis de polícia independentes. O Brasil é um país continental e a Motorola tem investido em uma estrutura para isso.

IT Web – Há um tempo vocês criticavam a morosidade na licitação de WiMAX e 3G, como você avalia a situação atual?

Stéfano – Eu não lidero mais a iniciativa de WiMax na Motorola. O portfólio de banda larga que eu trabalho hoje é de spectro não licenciado, não depende de regulação da Anatel. A minha opinião é que eles precisavam, governo e a própria agência, regulamentar alguns projetos em detrimento de outros. Eu entendo que o momento atual, especialmente 2009, seja a hora em que eles devam voltar à tona e retomar o processo de leilão das licenças de WiMax, que são muito importantes para complementar as soluções que eles já tem adotados no país todo.

IT Web – Então, acelerando ou reduzindo o processo não afeta o mercado que você atua..

Stéfano – Não vai afetar diretamente. A minha avaliação, como executivo, é que o processo licitatório do governo, assim como obras do PAC e tudo que o governo tem anunciado, é combustível para que a economia seja movimentada. O processo licitatório aquece o mercado, mexe com toda a indústria de WiMAX, especificamente, assim como os projetos do PAC, seja em âmbito federal ou estadual, são propulsores para que a economia continue rodando.

IT Web – Você disse que trabalha com spectro não licenciado, mas é preciso fazer a homologação de equipamentos, como está o processo?

Stéfano – É uma análise bem complexa. O Brasil tem realmente processo, tem uma política industrial e uma série de preocupações com relação à regulação dos produtos que são comercializados aqui. Acho que a Anatel tem buscado maior eficiência, acho que o processo tem sido melhorado nos últimos três anos. Eu tenho uma estrutura dedicada à Anatel. Empresas que não têm investimento e uma estrutura para homologar seus equipamentos, elevam muito o nível da crítica.

Mas eu vejo de forma positiva, pois não só está protegendo as empresas que investem, como a Motorola e várias outras, como também protege o mercado de aventureiros. O Brasil tem uma política industrial muito consolidada, a Anatel é uma agência reguladora eficaz e que tem papel importantíssimo. É lógico que é um processo burocrático, que às vezes é mais lento do que comercialmente se deseja. Pode melhorar? Sempre pode. Mas hoje ele é calcado em avaliar de forma profissional o que tem ocorrido no mercado.

IT Web – E para 2009, qual a perspectiva de crescimento de sua área? Como você vê o cenário diante das incertezas econômicas que ainda persistem?

Stéfano – Nossa expectativa no Brasil é de um crescimento na ordem de 20%. Temos encontrado dificuldades no mercado, diante do cenário de incertezas. O primeiro trimestre tem sido, particularmente, um pouco mais difícil. Nós vínhamos no ano passado em um ritmo muito forte. Então, logicamente, não podemos menosprezar tudo que tem acontecido, principalmente fora do País. Mas continuamos otimistas, mantendo esse plano. Nossa área que é o B2B é focada em negócios de médio e longo prazo e eles nos passam a sinalização de que vão acontecer ao longo do ano.

IT Web – Essa avaliação vale para os outros países que você coordena, como Argentina?

Stéfano – Olha, particularmente, na América Latina estimamos um crescimento na ordem de 15% a 20%, claro que de um país para o outro tem uma dinâmica diferente. A Argentina tem sua dinâmica e nós não estamos vendo lá um movimento tão forte do governo federal como no Brasil para obras de desenvolvimento, seja do PAC ou do que for. A Argentina tem passado por problema pontual e muito grave que é a estiagem e ela tem tido uma série de problemas com os ruralistas. Isso tem deixado o cenário de crescimento para 2009 um pouco mais em dúvida.

IT Web – Como está a questão da Copa 2014? Vocês costumam preparar a infraestrutura com muito tempo de antecedência para um evento como este?

Stéfano – Na verdade, para a Copa 2014, tudo acontece três ou quatro anos antes. Temos visto movimento do governo para desenvolvimento de estrutura de tecnologia e infraestrutura física. Diria que é o começo de prospecção. Não há nada acentuado ainda. O Pan (do Rio) foi um projeto muito complicado, porque ele se consolidou no início de 2007 para se entregue em junho do mesmo ano. Quer dizer, a gente não vê a Copa do Mundo acontecendo em 2014, ela tem de estar pronta em 2013, porque a Copa das Confederações é um test drive. Então, se fizer as contas para trás, um projeto que demanda de um a dois anos para ser concluído, ele deve ser licitado entre 2010 e 2011, para que tudo ocorra bem.

IT Web – As licitações fazem parte da meta?

Stéfano – É diferente de uma relação vendedor/comprador. Uma licitação dessa magnitude passa pela lei das licitações (a 8666) que é muito abrangente e que você precisa estar muito bem preparado para poder participar. Nós temos nos adaptado, estudado e aprendido para competir com toda a transparência que a licitação pede. Sem dúvida, como plano para uma grande empresa, uma licitação, um projeto como foi o Pan e como será a Copa, é um marco importante que as empresas têm de qualquer forma dedicar tempo e entender as oportunidades que estão por trás disso.

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