Edson Araujo de Sousa Jr., 26 anos, trabalha há pouco mais de três anos no Google e atualmente ocupa o cargo de estrategista sênior de contas de AdWords. Para ele, o que faz do Google a Melhor Empresa para Trabalhar em TI são as pessoas e o ambiente, que estimula a diversidade. “No Google, trabalham pessoas com diferentes experiências, formações e referências culturais, nascidas no Brasil ou vindas de fora do País.
Isso é ótimo, porque assim conseguimos criar soluções que podem ajudar um número maior de pessoas”, diz. A diversidade e a possibilidade de ser quem você é, como se fosse uma extensão de casa, são itens levados à sério pela empresa, que pelo sétimo ano consecutivo conquistou o título máster do ranking: o primeiro lugar entre as melhores. Sousa Jr. é um grande exemplo dessa prática.
Amante de forró, de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Gilberto Gil, logo depois que ingressou no Google sugeriu promover aulas de dança com o ritmo nordestino no escritório em São Paulo, e prontamente recebeu o sinal verde para a ação e teve todo o apoio necessário para preparar e organizar os encontros.
A ação ganhou adeptos e, hoje, um grupo comanda a iniciativa. “Nós, do grupo de dança, realizamos algumas ações muito especiais nestes três anos: ministramos aulas de dança para funcionários de outros escritórios, organizamos um concurso cultural interno e preparamos a quadrilha para as festas juninas”, orgulha-se.
Além disso, completa, o grupo fez uma apresentação de forró na festa de comemoração dos dez anos de existência do YouTube, promoveu uma aula de 15 ritmos para celebrar os 15 anos do Google e fez uma participação especial no lançamento do projeto Forró Patrimônio Cultural, com trio de forró ao vivo. “No Google é assim: é trabalho, mas tem espaço para trazer sua paixão para dentro da empresa”, sintetiza Monica Santos, diretora de Recursos Humanos do Google para América Latina. Ela enfatiza que a companhia incentiva as pessoas a ser quem elas são e, com isso, promove um verdadeiro ambiente de satisfação, realização e desenvolvimento. “Não precisa vestir máscaras, fingir ser quem não é.”
Tanto é que a organização tem um programa oficial que estimula os colaboradores a investir 20% de seu tempo em atividades que visam ao bem coletivo e que são de seu interesse. São vários comitês, como o de incentivo de Mulheres na TI, batizado de Women Techmakers, que organizam eventos para fazer coisas com paixão, exercer a liderança e o trabalho em equipe em prol de um objetivo maior.
Crescer mas sem perder a essência
Segundo a executiva, ponto importante da política da gestão de pessoas da empresa é que mesmo com o crescimento contínuo dos negócios, o Google não perdeu sua cultura, nem mesmo sua essência. “Parte do nosso sucesso é assegurar que nossa cultura é mantida e cultivada”, diz, completando que, hoje, o Google soma mais de 50 mil pessoas em todo o mundo e conservar a transparência na comunicação é fundamental. “Isso quebra possíveis silos.”
Respeitar a cultura local, ser transparente, não criar amarras e aceitar erros fazem parte da cartilha da gigante de internet. “Fazemos tudo com muito cuidado e parte da nossa preocupação constante é ver como nossos colaboradores recebem isso. Por isso, mantemos um diálogo permanente com eles”, relata a executiva. Monica conta que ao trabalhar a comunicação e a transparência, é possível melhorar o que já existe e até mesmo mudar as regras do jogo.
A companhia oferece um ambiente agradável e flexível para seus colaboradores e nos escritórios da empresa no Brasil imperam criatividade, inovação e informalidade. “Temos um convívio muito bom, saudável e as pessoas que aqui estão se ajudam o tempo todo”, pontua.
Monica assinala que a preocupação com os funcionários vai além dos muros da companhia. O Google também estende a atenção para os familiares de seus colaboradores. Além de realizar atividades para a família, como palestra sobre conscientização de Câncer de Mama, o Google passou a contar no ano passado com o que batizou de Benefício ao Sobrevivente.
Com ele, se um funcionário falecer, a família tem direito a 50% do salário da pessoa por dez anos. “É como um seguro de vida”, diz, acrescentando que trata-se de um apoio para a família, que felizmente, ainda não precisou ser usado no Brasil. O fato de manter uma cultura aberta e sempre voltada para o funcionário é amplamente percebido e valorizado pelos colaboradores. “Quem trabalha aqui observa um esforço compartilhado de várias áreas para fazer o melhor pelos funcionários. Isso é notado, por exemplo, na forma como o escritório é construído, com espaços para convivência e relaxamento, e nos benefícios que recebemos, entre outras iniciativas realizadas ao longo do ano”, relata Sousa Jr.
Apesar de o Google contar com redes para descanso, videogames, cozinhas temáticas, mesa de sinuca, corredores amplos para andar de patinete, diversos comitês para ações como atividades físicas, pufes em vários lugares do escritório para permitir o trabalho onde quer que seja, um dos itens mais valorizados pelos funcionários é a possibilidade de desenvolvimento. Na pesquisa do GPTW, 44% dos “googlers”, como são chamados os que trabalham na empresa, responderam que a oportunidade de crescer e de se desenvolver é o maior fator de retenção.
E mesmo para que sai em busca de novos desa os, Monica diz que as portas não se fecham. Essa movimentação é até interessante, segundo ela, pois as pessoas ganham perspectiva e se optam por voltar, podem agregar novas experiências à função.
Diversidade
O que seria do branco, se todos gostassem do amarelo? O ditado popular sintetiza como a gigante de internet conduz seu processo de seleção que, acima de tudo, busca diversidade em seus candidatos. “Se trouxermos pessoas muito parecidas, matamos a empresa, porque parte do nosso sucesso é oriundo de ideias diferentes. É isso que muda o status quo”, observa Monica, acrescentando que “quanto mais heterogênea a equipe, melhor”.
Para identificar esses pontos, o processo seletivo da empresa, diz Monica, é uma via de mão dupla. “Não é somente o Google que tem de escolher seus profissionais, o profissional também tem de escolher o Google. Se somente o RH falar e perguntar, não há como saber mais sobre a pessoa”, esclarece.
E o que exatamente o Google busca? Independentemente da capacidade técnica, que posteriormente pode ser desenvolvida, a companhia quer pessoas empenhadas em transformar o mundo. “Os talentos têm de compartilhar esse novo desejo de fazer do mundo um lugar melhor.”
Além disso, Monica ensina que é vital que a pessoa seja autêntica e não minta, porque ser algo que não é não se sustenta por muito tempo. Estudar sobre o Google, sobre tecnologia e produtos da empresa também fazem o candidato ganhar pontos na hora da entrevista. “Tudo isso demonstra interesse e conhecimento.”
Um dos pontos que vão ser trabalhados nos próximos meses, de acordo com Monica, é o fortalecimento da diversidade, com a contratação de pessoas com perfis distintos, mas também de mais mulheres e outros gêneros, por exemplo.
Comunicação em tempos de crise
Nem mesmo durante um ano de desafios financeiros, que têm afetado diversas economias, o Google abre mão da comunicação, que Monica cita como um dos pontos fortes da empresa. “Quando uma companhia não fala, pessoas passam a fantasiar e a criar medos. Independentemente do cenário financeiro, trabalhamos com ambiguidade, porque mudamos o tempo todo fazendo coisas disruptivas e sempre incentivamos a criatividade e o ato de fazer diferente”, relata.
Mas isso não é, de forma alguma, visto com temor pelos googlers. “O que mais gosto é de estar em uma empresa que impacta, diariamente e de forma positiva, a vida de tanta gente e que está em uma busca constante por alternativas inovadoras. Mudança aqui é rotina”, comenta Sousa Jr.
O Google estimula a comunicação a todo o tempo, seja nas reuniões, de maneira formal ou informal, nos cafés, corredores ou por meio dos recursos on-line. “Procuramos usar toda e qualquer oportunidade para compartilhar experiências, impressões, ideias”, diz Monica, ressaltando o fato de que é mais do que natural que todos se sintam à vontade para conversar com quem quer que seja, independentemente da hierarquia.
Estímulo à educação
Trabalhar no Google significa ter pela frente um mundo de oportunidades de crescimento, aprendizado e desenvolvimento profissional. A própria cultura da empresa e de seus fundadores, que criaram a gigante dos dormitórios da Universidade de Stanford, incentiva o aprendizado constante.
E os treinamentos acontecem em todos os níveis: do estagiário recém-chegado ao líder. Para se ter uma ideia, os estagiários passam por seis meses de treinamento e todos são responsáveis por um projeto na companhia. “Isso dá oportunidade para que eles possam aprender na prática. Eles também têm a assessoria de alguém, batizado de buddy (camarada, em tradução livre), para ajudar em todos os momentos”, explica Monica.
São várias as possibilidades de treinamento e capacitação em diversos formatos, on-line ou presencial. “Temos uma cultura forte voltada para o aprendizado. Prova disso, é o estímulo financeiro que proporcionamos aos googlers. Cada um dos funcionários tem à disposição uma verba anual para gastar com educação”, pontua.
Além dos treinamentos, a empresa também investe na promoção do pessoal. No ano passado, 20% dos googlers foram promovidos no Brasil, sendo que em 2013 o percentual foi de 18%.
Monica acredita que tudo isso é fruto do trabalho desempenhado pelo Google todos os dias, que não se resume a ações pontuais, mas sim em um trabalho consistente que tem mostrado cada vez mais resultados. “Nosso segredo passa pela relação com clientes e funcionários, inclui transparência, comunicação e respeito. É um trabalho de consistência e isso tem muito a ver com a nossa cultura”, finaliza.