O desenvolvimento da IPTV no Brasil não depende de questões técnicas, mas esbarra em um entrave político, pela hegemonia dos grandes grupos de TV. A opinião é de Alberto Luchetti, fundador da AllTV e presidente da Associação Brasileira de IPTV. “Existem no Brasil três frentes que não querem a IPTV: as cinco famílias detentoras das principais redes de TV, as distribuidoras de TV a cabo e o ministro das telecomunicações, Hélio Costa”, afirma, referindo-se à crítica corrente de que Costa defenderia interesses da Rede Globo de Televisão.
Para Luchetti, a distribuição de televisão pela internet abre a possibilidade de pulverizar a distribuição de conteúdo de maneira muito mais barata, daí a posição dos grandes grupos de dificultar sua disseminação. “Mas por mais que a expansão da oferta dos serviços de IPTV demore a acontecer, o movimento é inevitável”, destaca. O executivo calcula que os players interessados na oferta de IPTV já são mais fortes, financeiramente, que as grandes redes de TV.
Luchetti especula que a pulverização da distribuição de TV pela internet obrigaria as empresas a fornecer um conteúdo de qualidade. “Será uma televisão muito mais séria e competente”, prevê. “Estamos vivendo a coqueluche da internet, em detrimento da TV, como ocorreu nos anos 50 a passagem do rádio para a televisão. É uma fase de transição e ainda existem muitas indagações”, comenta Luchetti.
Ele reforça sua conclusão citando dados da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), que prevê a venda de mais de 10 milhões de computadores em 2007, número maior que o de televisores. “A elevação do consumo doméstico por PCs é impulsionada pelos preços mais baixos, pelos programas de inclusão digital do governo. Além disso, quem já tem TV em casa, abre mão de comprar outra para investir no computador”, explica.