A escassez de talentos em segurança cibernética está causando impacto na indústria. Essa é a conclusão de estudo da Intel Security, em parceria com o Center for Strategic and International Studies (CSIS). De acordo com o levantamento, a maioria (82%) dos entrevistados admitiu que há falta de qualificação em segurança cibernética, com 71% citando essa escassez como responsável pelos danos diretos e mensuráveis nas organizações, cuja falta de mão de obra faz com que se tornem alvos desejáveis de hackers.
Apenas nos Estados Unidos, em 2015, 209 mil empregos em segurança cibernética não foram preenchidos. Apesar de um em cada quatro entrevistados confirma que suas organizações perderam dados de propriedade como resultado da falta de conhecimento em segurança cibernética, não há sinais de redução dessa escassez de mão de obra em curto prazo.
Os entrevistados estimam que, em média, 15% dos cargos de segurança cibernética nas suas empresas continuarão vagos em 2020. Com o aumento da nuvem, computação móvel e da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) assim como ataques direcionados avançados e o ciberterrorismo em todo o mundo, a necessidade de uma mão de obra especializada em segurança cibernética torna-se fundamental.
Chris Young, vice-presidente sênior e gerente-geral do Intel Security Group, afirma que para enfrentar a crise de mão de obra, é preciso adotar novos modelos de formação, acelerar a disponibilidade de oportunidades de treinamento e oferecer automação mais profunda, para que o talento seja melhor utilizado na linha de frente. “Finalmente, devemos diversificar nossas posições”, aconselha.
O tema formação foi abordado no levantamento. Apenas 23% dos entrevistados disseram que os programas de formação estão preparando alunos para entrar no setor. O relatório revela que métodos não tradicionais de aprendizagem prática, como treinamento interativo, jogos e exercícios de tecnologia e maratonas de programação (hackathons), podem ser a maneira mais eficaz para adquirir e aumentar as qualificações em segurança cibernética.
Mais da metade dos entrevistados acredita que a escassez de qualificação em segurança cibernética é pior do que os déficits de talentos em outras áreas de TI, enfatizando as oportunidades de formação e de treinamento contínuas.
Entre os ouvidos pelo estudo, mais de três quartos (76%) dos disseram que seus governos não estão investindo o suficiente na criação de talentos em segurança cibernética. Essa escassez tornou-se questão política tão importante, que os chefes de Estado nos EUA, Reino Unido, Israel e Austrália apelaram para o aumento no apoio à mão de obra em segurança cibernética no ano passado.