Infraestrutura em nuvem ganha cada vez mais importância no processo de transformação digital de organizações, fazendo o papel de base para diversas aplicações que até então ficavam hospedadas em data centers “dentro de casa”. Seja uma startup, que já nasce no ambiente de cloud, ou uma grande empresa, que passa por processos de migração, a nuvem está na pauta de qualquer companhia que esteja em busca de redução de custos, agilidade ou até mesmo segurança dos dados.
Para atender a esses requisitos e ser um parceiro de confiança para todas as indústrias, a Amazon Web Services (AWS) busca utilizar os próprios clientes como estratégia para aperfeiçoar os serviços. Stephen Orban, líder de estratégias para o mercado de enterprise (foto), afirma que mais de 90% dos recursos desenvolvidos para empoderar a plataforma AWS vêm de necessidades de clientes e o aprendizado que essa interação traz. No ano passado, por exemplo, foram 1071 novas capacidades adicionadas à plataforma.
“Estamos empolgados com tudo que está acontecendo (no mundo de cloud). Ainda achamos que é o dia número 1 e que temos muito a aprender com nossos clientes. O foco é continuar ouvindo nossos clientes, entendendo suas as ‘dores’, para entregarmos a mais segura e holística plataforma para eles poderem transformar seus negócios e pensar no que importa para seus clientes”, afirma Orban, em entrevista ao IT Forum 365.
O executivo, que fica baseado no escritório da AWS em Nova York, nos EUA, desembarcou no Brasil nesta semana para participar do AWS Summit São Paulo, realizado nesta quinta-feira (22/06) no Transamérica Expo Center. Orban é o keynote do evento, que tem como estratégia justamente buscar essa aproximação e troca de experiências com clientes e entre eles mesmos.
“É uma oportunidade para todos aprenderem e desenvolverem. Teremos milhares de clientes, mais de 60 parceiros e mais de 100 sessões. Todos nós podemos aprender. A maturidade da plataforma cresceu muito e todo dia fico encantado com as novas tecnologias que são desenvolvidas com nossas ferramentas”, comenta.
Jornada de grandes empresas para a nuvem
Esse meio-campo entre AWS e clientes é parte dos esforços de Orban em seu dia a dia, desde 2014, quando assumiu o cargo na companhia. “Parte do meu trabalho é me reunir com executivos da área de tecnologia das maiores empresas do mundo para ajuda-los a transformar os processos para que eles realmente possam desfrutar de todas as vantagens da nuvem”, conta.
Orban, inclusive, se sente muito à vontade para fazer esse meio-campo entre CIOs e a AWS. O motivo? Antes de chegar à AWS, ele atuou por dois anos como CIO da Dow Jones, editora norte-americana responsável pela publicação de um dos mais importantes jornais financeiros do mundo, o jornal The Wall Street Journal, onde foi responsável por iniciar um projeto de transformação.
“Entrei na Dow Jones em 2012 e, na época, o CEO me trouxe para eu ser o agente de mudança, com foco em estratégias digitais. O comportamento das pessoas que consumem serviços financeiros tinha mudado – menos jornal físico para mais conteúdos on-line. O foco de negócios também precisava mudar. Meu objetivo era ajudar a companhia inovar o máximo possível com foco no desenvolvimento de produtos para melhorar a experiência dos clientes.”
Diante dessa missão, Orban afirma que seria avaliado pela inovação que traria, não como gerenciaria um data center. “Uma das coisas que mais me orgulho é que fomos de 70% dos recursos focados em operações na TI tradicional para 70% focado em desenvolvimento de produtos. É uma mudança massiva para uma organização como essa”, pontua.
“Vi que a empresa estava gastando muito tempo em operações tradicionais e pouco tempo em esforços para desenvolver produtos. Acredito que a função de um CIO, como executivo de uma grande companhia, é fazer essa mudança. Nunca teve uma época tão boa para ser um executivo de tecnologia em uma grande empresa, com essa grande oportunidade para transformar sua organização.”
A lista de grandes empresas clientes da AWS inclui nomes de peso, como Samsung, GE, Kellogg’s, Novartis, Discovery, Bosch e LG.
Brasil
Para Orban, a demanda para transformação nunca esteve tão grande e esse cenário inclui o Brasil. “Todos os segmentos da indústria utilizam nuvem AWS de forma significativa. Alguns vão aos poucos, como a Gerdau (empresa do setor siderúrgico), que começou com teste no ambiente e depois moveu o sistema SAP, que é um grande projeto considerando que muitos processos deles rodam no SAP. Foi um marco para a empresa, que reduziu custos em 50% e processos que eram feitos em 30 dias hoje podem ser feito em apenas um”, exemplifica.
Durante o evento nesta quinta-feira, representantes da Nextel, OLX e Nubank foram chamados ao palco para rapidamente compartilharem os destaques de seus projetos com a nuvem da Amazon. No caso da operadora, houve aumento de 72% no número de usuários do aplicativo da companhia, impulsionando o faturamento de R$ 1 milhão para 4 milhões nesta frente. Já Bernardo Carneiro, CTO da OLX, afirmou que a performance da infraestrutura da empresa foi de 15 minutos para cada evento para apenas 1 minuto. O Nubank, por sua vez, é destaque no uso da plataforma para nascer como uma empresa ágil para enfrentar fortes concorrentes no mercado financeiro.
Arlindo Maluli, líder da área de pré-vendas para grandes empresas na América Latina, citou outros três cases de sucesso da companhia: Banco Inter (antigo Intermedium), Smiles e iFood.
O primeiro caso, uma instituição financeira formada por ex-diretores de grandes bancos, que utiliza a plataforma AWS para entregar um sistema digital. A Smiles, por sua vez, começou a adotar iniciativas digitais, como o desenvolvimento de um aplicativo, além do iFood, que mudou seu modelo de negócio, antes baseado em delivery por telefone (reunia diversas opções de comidas, não só pizza), para um app consolidado e hoje o mais utilizado no setor.
“Grandes empresas começam a testar a nuvem e o passo seguinte não necessariamente vem da TI. Outras áreas começam a demandar produtos digitais, como a criação de um aplicativo. Nesse momento, com uma plataforma como AWS, vemos projetos em grandes empresas que se parecem com startups”, compara o executivo.