Em 1.200 Antes de Cristo, o Rei da Lídia, antigo país da Ásia Menor, enxergou nos jogos uma oportunidade para praticar o racionamento de alimentos, necessário naquela época. Inteligente, ele já havia identificado que entretenimento do tipo envolve e deixa as pessoas imersas naquele universo. E nos dias atuais não é diferente. De olho nesse quadro, empresas passam a aplicar jogos ao mundo dos negócios, conceito que foi batizado de gamification. Mas o modelo ainda não caiu nas graças de muitas organizações.
“Ainda há resistência por parte das companhias, por acreditar que o gamification pode não ser algo sério”, observa Henrique Poyotas, professor da FIAP. Segundo ele, uma forma de quebrar essa barreira é apresentar números e resultados sobre iniciativas do tipo e mostrar as vantagens de engajamento. “Comece colocando elementos do gamification gradativamente e mostre os resultados”, ensina.
Ele lembra que a mecânica do gamification prevê recompensa aos participantes, como status, acesso a informações diferenciadas, cria concorrência positiva e saudável entre os jogadores e garante influência. Além disso, pode estar associado a brindes ou presentes virtuais ou reais.
Poyotas aplica o método com seus alunos e pontua que os resultados, até o momento, são satisfatórios. O acadêmico usa o Classcraft para engajar os alunos e lança mão de metas, regras e feedback. Ao conquistar pontos no ranking, o aluno ganha poderes para, por exemplo, proteger um colega que chega atrasado e até postergar em alguns dias a entrega final do trabalho.
Conceituadas empresas como Google e IBM usam a metodologia. A gigante de buscas, por exemplo, utiliza para realizar recrutamento de talentos e a Big Blue aposta no modelo para ensinar business process e promover uma competição para resolver problemas de rede. “Há muitas aplicações para o gamification, escolha uma para começar a observe as melhorias”, finaliza Poyotas.