As grandes e médias empresas estão gastando mais com TI. O investimento em tecnologia deve atingir 7,5% da receita total em 2014, proporção que dobrou em 14 anos, segundo estudo conduzido pelo Centro de Tecnologia e Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado nesta quinta-feira (24).
O estudo intitulado Mercado Brasileiro de TI e Uso nas Empresas, em sua 25ª edição, pesquisou 6.000 grandes e médias empresas, que forneceram 2.300 respostas válidas. A pesquisa mostra que os gastos têm aumentado 7% ao ano em média desde 1988, sendo que nos últimos seis anos foi registrado crescimento anual de 5%.
De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Fernando Meirelles, a previsão é de que os investimentos em TI continuem crescendo e cheguem até 8% no próximo ano, seguindo a mesma tendência de consumo de tecnologia entre os consumidores. “A tendência é a mesma para as empresas, que vão se informatizar mais e investir mais em TI em 2014 do que em 2013”, destaca. O especialista enfatiza que esses gastos estão atrelados à situação da econômica do País: “Se a economia melhora, os gastos com tecnologia aumentam.”
Esse índice ainda é pequeno quando comparado a países de primeiro mundo, como os Estados Unidos. Em 2012, por exemplo, as empresas americanas gastaram o dobro com TI em relação às brasileiras.
A pesquisa também revela que o custo anual médio por usuário com TI atingiu R$ 26.500. “Esse número cresce desde 2011, e vai continuar evoluindo assim como o gasto de TI das empresas, enquanto o número de funcionários no geral está estabilizado”, acrescenta.
O professor lembra que o setor de tecnologia hoje cresce mais que o PIB, e estima que em 5 anos os gastos do setor devem alcançar 8,5% da receita líquida das companhias. “A taxa de penetração da indústria de tecnologia como um todo inclui mais gastos de comunicação: hoje, não conseguimos separar o que é comunicação e tecnologia”.
Ele explica que a necessidade de tecnologia varia de acordo com cada indústria. Por exemplo, algumas empresas não precisam ter toda a estrutura tão integrada. “Quando olhamos para setor de varejo e supermercado no Brasil, ele ainda não é tão informatizado e está muito atrás dos Estados Unidos, onde o comportamento da empresa com o consumidor obriga maior uso de tecnologia”, diz Meirelles. Os segmentos de mercado que mais gastaram com TI foram o setor industrial (4,7% da receita) e química e petroquímica (4,2%). Já as maiores taxa de crescimento foram apresentadas pelas empresas menos informatizadas e pelo setor de serviço.