Quando se fala em eficiência operacional, algo cada vez mais perseguido pelas empresas e que traz grandes desafios à TI, é preciso abordar um assunto árduo: a gestão do software.
Ainda é comum encontrar em empresas aplicativos que são comprados por meio de pacotes e nunca são sequer instalados ou mesmo aqueles que, mesmo instalados, não são utilizados.
Um levantamento da Opinion Matters mostra que, apenas nos Estados Unidos, a
má gestão do software gera gastos desnecessários da ordem de US$ 12,3 bilhões.
A informação foi passada por Frank Meylan, sócio da prática de IT Advisory da KPMG, que participou de um painel sobre eficiência operacional organizado pelo Ciab Febraban, realizado em São Paulo.
“Software precisa ser gerido com muito rigor, a gerência se perde com linhas de manutenção e é algo pesado nos orçamentos dos bancos”, aconselhou.
Meylan explicou que o modelo atual é um grande desafio para os CIOs, já que os processos estão muito fragmentados em diversas áreas de negócios e mesmo a infraestrutura de sistemas não está adequada para suportar os processos. “Usamos ainda uma infraestrutura monolítica para diversos processos.”
Nesse caso, algo essencial em tempos de software como serviço e onde qualquer departamento tem facilidade de comprar uma aplicação e pagar com o cartão corporativo, o gestor de TI precisa estar atento a esses processos de gestão descentralizados e ao custo que tudo isso pode gerar.
Como nem sempre a área de TI é compradora exclusiva, uma gestão integrada se torna mais complexa. “É preciso observar manutenção, classificação do software e diferentes modelos de licenciamento e agrupamento”, comenta o especialista.
Assim, é necessário criar um processo padrão de compra que, ao menos, auxilie no dia a dia e, mesmo quando algo for adquirido fora das fronteiras do departamento de tecnologia, a aplicação adquirida esteja minimamente aderente à estrutura corporativa.
Não cair em tentação com ofertas de pacote, que muitas vezes trazem softwares que nunca serão utilizados, é uma dica importante. “Tudo isso gera despesa de manutenção, propriedade, entre outros, causados por processos inconsistentes e muitas vezes manuais, catalogação errônea, etc.”
Para Maurício Minas, diretor-executivo do Bradesco e presidente da Scopus, quando se fala em gestão de software no banco, é preciso observar dois mundos: o dos softwares comprados no mercado e daqueles desenvolvidos em casa.
Naquilo que é feito em casa, o executivo afirma que existe todo um processo baseado em arquitetura orientada ao serviço (SOA), dentro de um trabalho que vem sendo feito internamente há alguns anos e que resultará em uma arquitetura que permitirá a redução de custo na ordem de 50% no desenvolvimento de softwares.
Já olhando para softwares de mercado, Minas explica que o Bradesco tem buscado reduzir a heterogeneidade dos ambientes, por conta da complexidade de acoplamento, pedindo até mais gente para operar. “Estamos reduzindo fornecedores e pensando no longo prazo com contrato de três a cinco anos. E cuidamos de não comprar o que não precisamos e usar bem o que temos. Isso parece simples, mas não é fácil, as vezes o pacote seduz.”