Seis em cada dez líderes empresariais que comandam negócios inovadores consideram que o grau de inovação no Brasil deixa a desejar. A conclusão é de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Dos cem executivos participantes, 54% responderam que o grau de inovação da indústria brasileira é “baixo” e outros 8% consideraram “muito baixo”. Além disso, 35% afirmaram “nem alto, nem baixo” e apenas 3% classificaram como “alto”.
Para os que indicaram que o nível é baixo ou muito baixo, o principal motivo pontuado foi que Brasil está atrasado em comparação com outros países em razão da defasagem tecnológica acumulada nos últimos anos. O levantamento indica que os Estados Unidos aparecem como referência. Em seguida estão Alemanha, Coreia do Sul, Japão e China.
Os entrevistados acreditam que falta a cultura de inovação nas companhias. Outro item destacado foi a falta de política de incentivo e dificuldade de interação entre universidades e empresas.
O estudo identificou, no entanto, que inovação faz parte da estratégia do negócio em 99% das empresas consultadas. Entre as motivações para inovar, os empresários apontaram, em primeiro lugar, a vantagem competitiva. Também foi citado o aumento de produtividade, de lucro e de potencial de internacionalização. A capacitação foi apontada como um entrave.
Em relação à fatia do orçamento destinada a atividades inovadoras, a pesquisa revela que as empresas de grande porte investem mais que as pequenas e médias. No primeiro grupo, a maioria (37,5%) destina mais de 5% do orçamento à inovação; 10% indicam que o investimento está entre 3% e 5% do faturamento; em outros 27,5% o percentual é entre 1% e 3%. No segundo grupo, 21,7% apontam que mais de 5% do faturamento vai para inovação; 16,7% afirmam que fica entre 3% e 5% e a maioria (31,7%) dizem que o percentual está entre 1% e 3%.
Otimismo
Apesar da expectativa de baixo crescimento para o País, os representantes das empresas estão otimistas sobre o volume derecursos para inovação nos próximos cinco anos: 57% responderam que pretendem “aumentar” ou “aumentar muito” os investimentos. Outros 39% afirmaram que a tendência é permanecer como está.
Para mudar o cenário, os empresários acreditam que é preciso simplificar tributos. Em seguida, citaram a necessidade de conectar empresas a universidades a centros e pesquisa e desenvolvimento, além de investir em educação e facilitar a importação de equipamentos e tecnologia.