De acordo com relatório da entidade, operadoras latino-americanas enfrentam desafios econômicos e regulatórios para proliferação da tecnologia
As implantações de redes 4G e de tecnologia M2M para celular devem estar preparadas para um crescimento rápido em toda a América Latina. Porém a GSMA, entidade que representa os interesses das telcos ao redor do mundo, acredita que isso só irá ocorrer se as operadoras móveis na região forem capazes de superar uma série de desafios regulatórios e econômicos.
O grupo encomendou uma pesquisa e publicou dois relatórios que destacam a necessidade de uma abordagem “sustentável” para as implantações de redes 4G e da tecnologia M2M na região.
De acordo com a GSMA, existiam 39 operadoras com redes LTE na América Latina até março de 2015, abrangendo 15 dos 22 países na região. O cenário evoluiu bastante no passado recente: 17 operadoras lançaram redes 4G em 2014 e outras 21 planejam lançamentos nos próximos anos.
“Apesar deste impulso recente, as redes 4G representaram apenas 2,4% do total de 683 milhões de conexões móveis na América Latina no primeiro trimestre de 2015, abaixo da média global de 8,4%”, constata a entidade, apontando que a migração tecnológica está ocorrendo mais lentamente do que o vivenciado no avanço do 3G.
O relatório atribui este progresso mais lento a diversos fatores, incluindo a alocação insuficiente de espectro 4G adequado (especialmente em frequências abaixo de 1 GHz, como a faixa de dividendos digitais de 700MHz), as dificuldades na implantação de infraestrutura a nível municipal para atender às obrigações atuais rigorosas de cobertura e a um ambiente macroeconômico desafiador, que desencoraja a maioria dos assinantes a atualizar para dispositivos e serviços 4G.
“As operadoras de telefonia móvel da América Latina estão investindo bilhões na aquisição de licenças e no desenvolvimento de infraestrutura 4G, apesar dos desafios de oferta e demanda”, afirmou Sebastian Cabello, diretor da GSMA para a América Latina, em comunicado. “Várias operadoras estão fazendo investimentos, apesar do declínio da receita decorrente dos serviços tradicionais”, acrescentou.
A entidade afirma que a tecnologia será fundamental para a universalização do acesso de banda larga móvel. “Por isso, pedimos aos formuladores de políticas na região que eliminem as barreiras à implantação da banda larga móvel sustentável, a fim de estimular o investimento contínuo nas redes 3G e 4G”, defendeu.
Cenário
De acordo com a pesquisa, as redes 4G serão responsáveis por 28% das conexões móveis da América Latina em 2020. Estima-se que as redes 3G, que atualmente oferecem cobertura a quase 90% da população da região, representem 51% das conexões até este ponto.
As operadoras de telefonia móvel fornecerão suporte à migração para as redes (3G/4G) de banda larga móvel durante este período, com o aumento do investimento em infraestrutura; estima-se que as despesas com capital das operadoras totalizem aproximadamente US$ 170 bilhões no período de seis anos, entre 2015 e 2020, um aumento sobre os US$ 106 bilhões investidos ao longo dos últimos seis anos.
Novos modelos de negócio
A GSMA Intelligence estima que existiam 16,1 milhões de conexões M2M de celulares na América Latina no final de 2014, tornando-a a quarta maior região de M2M no mundo inteiro, atrás de Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte.
A entidade projeta que o crescimento em conexões será “muito forte” nos próximos anos, aumentando em 25% ao ano até 2020 e alcançando 62 milhões de conexões até este ponto. A tecnologia M2M para celulares representa atualmente cerca de 2% do total de conexões na região, mas estima-se que cresça até 7% do total no mesmo período.
O Brasil é o maior mercado M2M na América Latina, com 9,9 milhões de conexões ao final de 2014, sendo responsável por 61% da região. O avanço ocorreu devido a desoneração de imposto sobre cartões SIM em dispositivos não operados por pessoas, que incentivou a aplicação da tecnologia em áreas como telemática de veículos e contadores inteligentes.
“Estruturas regulatórias favoráveis podem desempenhar um papel importante no incentivo à implantação e à adoção de novas aplicações e serviços M2M, como vimos com a redução de imposto no Brasil”, avaliou Cabello, observando as telcos latino-americanas criando novos modelos negócio para esse cenário.