Executivos veem em movimento de repatriação de dados após onda de nuvem pública um forte espaço para Greenlake
Num país repleto de empresas de médio porte como o Brasil e com desafios imensos a serem superados, acertar a oferta para vender e vencer neste segmento tem sido a aposta de grandes nomes da indústria de tecnologia nos últimos anos. Com a HPE não é diferente, ainda que mais da metade das vendas seja para companhias consideradas médias, a fabricante enxerga um grande espaço para crescimento e aposta na estratégia global de levar a HPE Greenlake, solução de infraestrutura on-premise como serviço, para empresas desse segmento para conquistar essa lacuna.
Como observou o diretor de vendas da fabricante no Brasil, Alexandre Benini, a estratégia global de, em três anos, converter todo o portfólio da companhia em venda como serviço, e de já iniciar uma oferta do Greenlake para empresas de médio porte, atende a uma demanda que ele já vinha observando por meio dos canais brasileiros. De acordo com o executivo, os parceiros já traziam muitas demandas desse tipo de cliente para soluções do tipo Greenlake que, agora, poderão ser endereçadas.
Outro ponto atentado por Benini diz respeito a um movimento do próprio mercado. Depois de uma grande onda de ida das empresas para nuvem pública, principalmente as de pequeno e médio portes, dados de estudos de consultorias como Gartner e IDC apontam para uma necessidade do que ele chama de repatriação dos dados e infraestrutura, ou seja, uma nova onda de insourcing por diferentes motivos. “Mas uma vez que esse cliente foi para nuvem pública e teve uma experiência de serviço gerenciado, ele não quer mais voltar a ter uma TI transacional, e o Greenlake viabiliza essa possibilidade de ter uma infraestrutura própria, paga como serviço e gerenciada por uma equipe especializadas, no caso, a nossa da HPE”, pontuou, em conversa durante o Discover, principal evento da provedora para clientes e parceiros, em Las Vegas.
Atualmente, dos mais de 600 clientes ativos de Greenlake no mundo, cerca de 60 estão na América Latina e em torno de 15 no Brasil, número que tanto Benini, como Ricardo Brognoli, country manager da subsidiária brasileira, acreditam que deva aumentar muito. Parte do otimismo passa também pela aliança global selada com a empresa de data centers Equinix, que já tem uma grande infraestrutura no Brasil, e que possibilitará uma oferta de Greenlake no modelo de colocation para aquelas empresas que, ou querem sair de uma operação 100% na nuvem pública ou precisam de uma infraestrutura robusta devido a um crescimento acelerado da operação, porém, não contam com espaço físico e/ou equipe de TI especializada para arquitetar um data center e promover a gestão pós implantação.
“Vemos um potencial muito grande com a Equinix porque, no Brasil, ela hospeda os principais players de nuvem pública e os clientes têm visto a Equinix como parceiro de negócio favorável para uma estratégia de multicloud pela interação existente com praticamente todos os provedores. Faltava essa oferta de colocation cobrado como serviço que teremos em conjunto. No final, a Equinix ajudará com as empresas de médio porte, mas também com as grandes corporações, uma vez que existe um movimento dessas empresas fecharem seus data centers próprios e partirem para um modelo de serviço”, completou Benini.
*O jornalista viajou a Las Vegas a convite da HPE