Nos últimos dois anos, a Huawei tem investido no setor de TI para balancear o faturamento que hoje em grande parte (67%) vem do mercado de telecom. De lá para cá, a empresa de origem chinesa trabalha pesado para fortalecer sua oferta no segmento. Hoje (18/9), a fabricante deu importante passo na estratégia ao anunciar em seu evento anual, o Huawei Cloud Congress (HCC) 2015, realizado em Xangai, na China, três soluções para acelerar a migração de organizações para a nuvem: FusionSphere6.0, FusionInsight e FusionStag.
“No último ano no HCC, disse que queríamos ser líderes em tecnologia da informação e telecomunicação, mas não poderíamos fazer tudo, tínhamos de focar. Foi o que fizemos”, disse Eric Xu, vice-presidente do conselho e CEO rotativo na abertura do evento, que reune 10 mil profissionais do setor de 80 países.
O executivo explicou que o FusionSphere6.0 ajuda empresas a otimizar e aprimorar a integração entre data centers. Já o FusionInsight converte dados ao quebrar silos informacionais e a terceira solução, o FusionStage, é uma plataforma como serviço (PaaS, da sigla em inglês) que ajuda desenvolvedores a criar soluções específicas para diversos segmentos.
A infraestrutura por trás para suportar a estratégia é robusta. Até o momento, a companhia conta com 660 data centers, sendo 255 deles voltados para cloud computing. A empresa ingressou no segmento de nuvem em 2010 e desde então tem investido em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e inovação para promover o desenvolvimento e a transformação da indústria.
Durante sua apresentação, Xu citou uma série de parceiros que se juntaram à empresa para reforçar a estratégia de cloud. Segundo ele, a aliança com as telcos é a melhor trilha para a oferta pública, especialmente fora da China. No país, a Huawei oferece serviços de cloud de forma direta, mas em outros mercados, a aposta são as operadoras, como a Deutsch Telekom. “Nossa estratégia é focada em colaboração para construir nosso ecossistema de cloud. É como a Amazônia, que tem seus rios interligados”, exemplificou o executivo.
A estratégia de nuvem pública da Huawei é bastante clara, segundo Yan Lida, presidente de Negócios Corporativos da fabricante. Mas a ideia agora é fortalecer a oferta na China para depois conquistar outras regiões. “Hoje não estamos prontos para nuvem global. Estamos caminhando passo a passo. Depois que a oferta estiver madura vamos ampliar para outras localidades”, assinalou.
Nuvem para todos os gostos
Lida lembrou que os benefícios da cloud são amplamente conhecidos, mas há desafios como a limitação imposta pela padronização da nuvem. “Por isso, nossa aposta é em nuvens verticalizadas, que atendam às necessidades de cada segmento. Estamos vendo essa tendência que chega para aprimorar a eficiência e quebrar os silos.”
Além dessa proposta, a Huawei está apostando na convergência, o que significa que um data center não passa a ser visto apenas com caixas independentes, mas integradas. “É a simplificação da TI”, sintetizou Zheng Yelai, vice-presidente da linha de produtos wireless da Huawei.
Outro diferencial apontado por diversas vezes pelos executivos da fabricante e enfatizado por William Xu, diretor-executivo do board e Chief Strategy Marketing Officer da Huawei, é o fato de que mesmo na nuvem, a fabricante não tem nenhum dado dos clientes. “Somos diferentes de outras companhias de internet, que têm os dados de seus clientes. O que queremos é construir um mundo conectado e estamos cumprindo essa missão”, relatou.
*A jornalista viajou a Xangai, na China, a convite da Huawei