Na mesma semana em que a Lenovo revelou suas ambições de liderar o mercado de servidores, após concretização da operação de compra da divisão de equipamentos x86 da IBM, em 1o de outubro, a fabricante norte-americana anunciou ao mercado uma oferta que se apresenta como alternativa mais eficiente em relação aos servidores “commodities” baseados na arquitetura x86.
Com valor 20% inferior e foco em aplicações de cloud e big data, os novos servidores baseados na plataforma aberta Power8 da IBM, apresentados na última sexta-feira (03/10), começam a ser disponibilizados ao mercado a partir desta segunda-feira (06/10) globalmente, inclusive no Brasil. Além disso, os novos servidores terão fabricação local a partir de dezembro.
“A ideia não é competir simplesmente com a Lenovo, pelo contrário, queremos atingir novos segmentos de mercado de servidores de alto poder computacional no qual estamos focando nesses workloads de missão crítica nas empresas”, comenta Anibal Strianese, diretor de vendas da IBM no Brasil. Segundo ele, trata-se de um segmento bem delineado no qual a IBM quer continuar a ser líder. No setor, a empresa enfrenta concorrência de players como Oracle em Unix e diversos outros que vendem hardware comoditizados em Lixux, apontou.
“Quando falamos de open stack, de extrair do hardware e ter uma camada de gerenciamento na qual eu controlo tudo isso, é esse segmento que queremos atacar. Então, não temos um concorrente específico, principalmente quando estamos falando de big data e analytics”, afirmou. O executivo lembra que, com base nos dados da IDC, a fabricante detém hoje 80% de participação no mercado na plataforma Unix no Brasil.
Para reforçar essa estratégia, além da atualização de toda a plataforma, a IBM também anuncia a expansão de seu consórcio voltado para a plataforma OpenPower Stack para o Brasil. O projeto, cujo intuito é impulsionar a inovação a partir do desenvolvimento de novas tecnologias em torno da plataforma aberta Power, já conta com mais de 30 empresas, como Google e Samsung. “Diferentemente do mundo x86, que depende de uma única empresa que tem o controle sobre essa arquitetura para se fazer qualquer mudança”, compara. Strianese conta que dez empresas brasileiras já manifestaram interesse em participar do programa e meta é fechar parceria com quatro delas até o fim do ano, que devem iniciar o projeto no segundo trimestre de 2015.
A entrada de empresas brasileiras no consórcio permitirá o desenvolvimento de tecnologia 100% nacional, do processador à placa, explica Anibal Strianese. “Se olharmos hoje o consórcio há empresas na China que já desenvolvem servidores com a arquitetura Power com tecnologia 100% chinesa. Do mesmo modo, queremos impulsionar um ecossistema em torno da plataforma e tornar o País um desenvolvedor de tecnologia local e não só importador”, acrescenta.
“O mais importante, com todos esses anúncios, é que queremos crescer no mercado de servidores Unix, capturando novos mercados dessa linha de servidores Unix, e aproveitar o crescimento no Brasil e no mundo de soluções de Big Data, cloud e analytics”, reiterou.