Primeiro documento divulgado pelo StopBadware.org apontam quatro softwares, como aplicativo P2P, infestados por pragas espiãs.
O popular software de troca de arquivos P2P Kazaa e um suposto aplicativo que detecta spywares no PC do usuário estão entre os quatro primeiros programas identificados como “badware” pelo grupo StopBadware.org em um documento divulgado na quarta-feira.
O StopBadware.org, em seu primeiro anúncio desde sua formação, em janeiro, identificou o SpyAxe, um programa alardeado como bloqueador de spyware, como um badware, o termo usado pelo grupo para identificar spywares, vírus, adwares e outros softwares maliciosos. Além do Kazaa e do SpyAxe, o StopBadware.org indicou também o MediaPipie, um gerenciador de download produzido por uma companhia inglesa, e o Waterfalls 3, um screensaver distribuído no site Screensavers.com, como badware.
As quatro aplicações “violaram claramente” diretrizes do StopBadware.org, disse John Palfrey, co-diretor do grupo e diretor-executivo do Centro Berkman para Internet & Sociedade dentro da Universidade de Harvard. Enquanto o grupo espera identificar uma série de aplicativos, os quatro indicados geraram reclamações significantes para o StopBadware.org, acrescentou ele.
“Achamos que existe um enorme valor em dar aos consumidores mais controle e fornecer a eles mais informações antes que algo possa prejudicar seus computadores”, disse Palfrey. “Esperamos que, a longo prazo, esses documentos leve os desenvolvedores de aplicações a operar de maneira mais clara e transparente”.
Três dos quatro softwares têm mecanismos próprios de instalação, três modificam outros softwares dentro do computador do usuário e três são difíceis de serem desinstalados completamente, de acordo com o documento. No entanto, nenhum dos quatro violou as diretrizes do StopBadware.org contra infestar outros computadores, e apenas um, o WaterFalls 3, transmite dados privados para outras máquinas.
A Sharman Networks, que distribui o Kazaa, não concorda com o relatório. O software distribui adware, mas “isso é esclarecido para os usuários”, disse Felicity Campbell, uma porta-voz da companhia. Usuários que preferirem podem pagar 29,95 dólares para usar uma versão sem propagandas, ou podem também desinstalar o aplicativo, acrescentou ela.
Campbell também discordou da descoberta do StopBadware.org sobre a dificuldade de se desinstalar completamente o Kazaa, culpando uma falha no sistema operacional Windows por fazer parecer que arquivos do aplicativo de compartilhamento permaneçam no PC. “A falha simplesmente implica que tudo que foi desinstalado continue aparecendo na máquina”, disse ela em um e-mail.
As três outras companhias responsáveis pelos outros softwares indicados não estavam disponíveis para comentar.
Sem o grupo StopBadware.org e outras associações contra pragas virtuais, usuários podem parar de usar computadores que podem baixar aplicações inovadoras, e se voltar para aparelhos com inúmeras restrições, argumenta Jonathan Zittrain, co-diretor da StopBadware.org e professor de governância e regulação de internet na Universidade de Oxford.
“Se não resolvermos esse problema, então minha preocupação é que consumidores irão se afastar naturalmente de PCs capazes de rodar código de praticamente qualquer lugar da internet”, disse ele. “Esses aparelhos (cheios de restrições) terão filtros de entrada, e muitos códigos e serviços não poderão encontrar suas audiências”.
O grupo StopBadware.org descobriu que o Kazaa tem métodos maliciosos de instalação, modifica outros softwares, interfere com o uso do PC e é difícil de desinstalar. O SpyAxe também interfere no uso da máquina e, além de ser difícil de ser desinstalado, não traz botões para que o aplicativo seja fechado na sua interface principal.
Já o MediaPipe instala um programa P2P que consome banda do usuário sem que ele saiba e deixa um executável na máquina após ser removido. O WaterFalls 3, por fim, traz um componente considerado spyware e, em seu contrato de licença, se reserva o direito de instalar outras aplicações no computador do usuário.