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Servidores blade conquistam espaço nas áreas de TI

Apontado como uma das tendências para 2006, servidores blade conquistam espaço nas áreas de TI, mas ainda precisam mostrar que valem o investimento que demandam.

Publicado:
22/02/2006 às 10:10
Leitura
8 minutos
Servidores blade conquistam espaço nas áreas de TI

Quando foi lançado, em 2003, o servidor blade já trazia as mesmas características de hoje – tamanho reduzido, que possibilita a instalação de um número maior de servidores em um mesmo local; menor consumo de energia e de refrigeração, que resulta em custos significativamente menores para grandes parques de servidores ou datacenters, e a melhor de todas, a mesma capacidade de processamento de um servidor tradicional.

Se nenhuma dessas características foi alterada drasticamente nos últimos três anos, por que só agora, em 2006, o servidor blade aparece como uma das grandes apostas do setor de tecnologia da informação? Deixando de lado o ciclo normal de maturação da tecnologia, que invariavelmente leva de um a três anos para popularizar o uso de qualquer solução, o entusiasmo percebido nos fabricantes neste ano mostra outras razões para o otimismo. E também para a cautela.

Para Reinaldo Roveri, analista de mercado da IDC Brasil, os motivos para esta tendência são a busca cada vez mais árdua dos CIOs em reduzir os custos e simplificar a infra-estrutura das corporações. “Eles são pressionados, cada vez mais, a reduzir a complexidade de suas estruturas e essa tendência vem se intensificando nos últimos dois anos”, revela Roveri.

Os números mundiais sobre a tecnologia vêm comprovar essa tese – em 2004 foram vendidos 306 mil unidades de servidores blade, com crescimento de 65% em relação ao total comercializado em 2003. Já no ano passado, este número atingiu 510 mil unidades em todo o mundo, um crescimento de 66% nas vendas. A expectativa da IDC é de que esse ritmo se mantenha nos próximos cinco anos, até porque a participação dos blades em relação à base total de servidores ainda é muito pequena. “Hoje são apenas 7% da base mundial. Nos Estados Unidos, essa proporção já é de 9%, mas no Brasil, ainda estamos na casa dos 3%”, conta o analista.

A avaliação de Roveri para o mercado nacional, no entanto, é de que apenas empresas com estruturas de TI bem maduras adotarão o blade em larga escala. É o caso da Petrobrás, por exemplo (veja quadro na página ao lado). O analista, no entanto, descarta as pequenas e médias organizações, contrariando a expectativa das fabricantes. “O custo de aquisição de um blade ainda é muito mais alto do que um servidor em rack ou em torre. Como as pequenas empresas investem de olho no curto prazo, o blade ainda não apresenta uma boa competitividade”, explica.

Essa relação com o preço, no entanto, pode ser avaliada sob outra perspectiva. Pesquisa feita pelo Gartner, em maio de 2005, também aponta que os servidores blade geralmente custam mais do que as soluções tradicionais. No entanto, o estudo ressalta que quando levado em conta que esse tipo de servidores compartilha as conexões de rede e de storage, o custo adicional acaba ficando diluído.

Para os executivos da IBM, Maurício Conceição, responsável pela área de simplificação de TI, e Sérgio Camórcio, responsável pela área de servidores blade, as empresas da categoria SMB (small and medium business) podem até ter uma estrutura reduzida, mas acabam passando pelo mesmo sofrimento dos grandes clientes. “Muitas delas não têm uma política estruturada de TI, mas sofrem com problemas como legados que não se conversam e a execução de múltiplas transações de complexidade menor, mas que no volume, resultam em um grande dilema. Para desafios como este, o blade é uma boa saída”, explicam.

A estratégia da IBM para blades vem sendo estruturada desde 2003 e está atrelada aos conceitos de consolidação, virtualização e simplificação de infra-estrutura de TI. “Em 2005 prestamos consultoria para 75 grandes projetos de consolidação e virtualização de servidores aqui no Brasil”, conta Maurício Conceição.

Além das companhias que precisam simplificar seus parques, o executivo vê um alto potencial de adesão aos servidores blade nas empresas que estão passando por fusões e aquisições ou ainda naquelas que estão passando por um ritmo de crescimento bastante acelerado. “Essas geralmente contam com muita infra-estrutura com um uso pouco racional. No geral, elas compram por impulso e depois não conseguem gerenciar toda a estrutura”, justifica.

Para Camórcio, o papel dos servidores blade em um projeto de simplificação é facilmente percebido quando a empresa avalia sua infra-estrutura de TI em dois cenários. O primeiro é o escalonamento horizontal ou “scale out”. “Nesse cenário, a empresa possui vários aplicativos legados, que não consegue consolidar em um mesmo servidor. Quando isso acontece, é possível fazer uma redução de servidores, mas alocando um servidor para cada aplicação”, detalha. Outro cenário é o de escalonamento vertical ou “scale up”, que é a consolidação de servidores em um número menor. “Nesse modelo fica a opção do cliente em comprar 20 servidores de dois processadores ou apenas um de oito. Os blades também resolvem bem esse desafio.”

Já para a Dell, a palavra-chave quando se fala em servidores blade é a virtualização. “O que está impulsionando a adoção de blades é a onda de virtualização de servidores, que vem aumentando desde o ano passado”, acredita Vinicius Silva, gerente de servidores e storage. Para o executivo, as aplicações para tal tarefa evoluíram e o custo do software baixou, facilitando o processo e criando opções como a oferecida pela empresa, que vende os servidores fabricados localmente já com o software de virtualização embutido.

Boom só em 2008

Hoje as vendas da Dell na área de blades ainda são modestas, na casa de um dígito. A avaliação do executivo é de que a adoção desses servidores vai crescer em 2006, mas que o boom da solução não deve chegar por aqui antes de 2008. “Existem muitas soluções em torre que ainda irão migrar para rack antes disso”, argumenta.

Na avaliação do gerente da Dell, aplicações pesadas, como as de banco de dados, exigem uma solução de servidores em rack. Dentre os pontos fracos do blade, Silva destaca características como limitações na expansão de placas adicionais, slots para entrada e saída (I/O) e capacidade interna limitada a dois discos rígidos. “O preço é outro inibidor, pois ainda está em patamares altos, mas deve cair”, pondera.

Para a HP, os servidores blade estão inseridos na estratégia Adaptive Enterprise como resposta para as necessidades das empresas que precisam crescer de acordo com a demanda e melhorar o gerenciamento de seus parques. A HP começou a fabricar os servidores localmente em agosto do ano passado e já sentiu um aumento de 30% na demanda em 2005 em comparação ao ano anterior. 

De acordo com Jaison Patrocínio, gerente de marketing e servidores da HP, o blade é a melhor opção para as empresas que estão crescendo e a maior demanda vem de setores como os de manufatura, que estão em um movimento muito forte de virtualização e consolidação, e o de finanças. “Nossa avaliação é de que as pequenas e médias também já podem adotar o blade, pois no médio e longo prazos a solução pode ficar até 35% mais barata que uma baseada em servidores tradicionais”, calcula.

A virtualização é, também para Patrocínio, a responsável pela demanda maior por blade. Diante desse cenário, as estimativas da HP são bastante otimistas: levantamento feito pela empresa aponta que 15% da base de servidores vendidos em 2005 eram blade e que esse número pode chegar a até 18% em 2006. A estratégia de expansão inclui o lançamento de um blade com 4 processadores a partir do segundo semestre.

A meta da fabricante não é, neste momento, conquistar grandes contas – antes disso é preciso pulverizar a tecnologia. “Temos o blade como uma porta de entrada no cliente. Hoje prefiro ter mil contratos com uma máquina do que um contrato de mil máquinas”, arremata Patrocínio.

Se do lado dos fabricantes o cenário é bem positivo, do lado dos clientes ainda restam muitas dúvidas sobre a adoção de servidores blades, como por exemplo, saber calcular o retorno real sobre o investimento de aquisição e conhecer quais as aplicações mais adequadas ao uso dessa tecnologia. Uma análise aprofundada da atual infra-estrutura de TI da empresa e quais são suas necessidades reais pode mostrar onde e como os servidores blade podem ajudar. E se efetivamente poderão ajudar.

Leia aqui especial sobre infra-estrutura.

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