Ricardo Sacramento, presidente da Brasil Telecom GSM, não concorda com o movimento ?3G Já? reivindicado pela indústria de telecomunicações e informa que é inviável financeiramente oferecer serviços de vídeo pelo preço de 5 reais.
A pressão da indústria de telecomunicações pela licitação da terceira geração não é vista com bons olhos por alguns gestores da telefonia móvel. É o caso do presidente da Brasil Telecom GSM, Ricardo Sacramento, responsável pela oferta de serviços a 1,3 bilhão de usuários dos 10 estados em que a operadora tem concessão.
“Tem 180 mil pessoas com celular analógico, 80% da base de usuários são pré-pagos e eu diria mais: 70% do total dos usuários não têm sequer um telefone colorido. Ou seja, a demanda está totalmente imatura para pensarmos em leilão de 3G”, analisa.
Ele ainda acrescenta que a integração das redes MMS (mensagem multimídia) aconteceu há apenas 90 dias e que somente 20% dos aparelhos celulares ativados têm capacidade de enviar e receber vídeo no Brasil. Por enquanto, a BrT GSM explora a rede EDGE somente com a oferta de download de pequenos vídeos, clips e em breve lançará o serviço de email conforme já publicado exclusivamente pelo COMPUTERWORLD. O motivo dessa oferta de banda larga limitada não é tecnológico, mas sim comercial.
“O preço por minuto de um download de vídeo é de 5 reais. Quem vai querer pagar 25 reais para ver um seriado?”, questiona. E responde: “se fizer um business case de quanto custa rodar esse vídeo, quanto tem que pagar para o parceiro desenvolvedor do conteúdo e quanto de mídia é necessário fazer para lançar o produto, o resultado ainda é negativo”.
Sacramento ainda revela que a média da receita de dados é de 6% da receita, o que não justifica investimento imediato na construção de novas redes como é o caso da terceira geração. “Ainda temos muita lenha para queimar com a atual infra-estrutura da telefonia móvel. A tecnologia EDGE, que foi implementada nas principais capitais no caso da Brasil Telecom, permite velocidade de até 230 Kbps”, informa.
“Estamos falando de time-to-market. Esse não é o momento de se pensar em 3G. Precisamos explorar os serviços de banda larga com nossas plataformas atuais”, diz. E conclui: “o usuário se quer comenta esse tipo de assunto porque as redes atuais já oferecem os serviços desejados”.