Após quatro anos, a fornecedora de satélite Inmarsat consegue o aval da Anatel para replicar seu modelo comercial atacadista e já fechou parcerias com cinco interessados no mercado brasileiro.
A Embratel, única representante para vender serviços móveis e fixos via satélite da Inmarsat no Brasil, ganha cinco novos concorrentes. Isso porque a Inmarsat conseguiu após quatro anos de negociação que a Anatel aprovasse seu modelo mundial de atuação, cuja a cadeia implica atacadista, prestador de serviço e revendedor. A Lei Geral de Telecomunicaçõe só concede licença de prestação de serviço e revendedor da solução para oferta satelital.
Desde julho, a agência aprovou a entrada da France Telecom, Morsviasputnik Mobile, Stratos Wireless, Telenor e Xantic para também serem representantes da Inmarsat no mercado brasileiro. Por enquanto, somente a Stratos Wireless já ativou a operação por meio da JaburSat Rastreamento Veículos, que em julho já ativou 500 terminais em veículos para aplicação de rastreamento de frota.
As demais estão em busca da licença de serviço especializado para vender os serviços móveis e fixos via satélite da inmarsat direto ao mercado corporativo. A France Telecom será representada pela Radiomar, que tem o foco na oferta de serviços de telecomunicações para o mercado marítimo; a Morsviasputnik escolheu a Rodosis, que disputará o segmento de rastreamento com a JaburSat. E a Telenor e a Xantic já têm subsidiárias no País.
Quem é a Inmarsat
Com uma receita de 473 milhões de dólares, a Inmarsat tem dez satélites geoestacionários (aqueles que não mudam de posição na órbita satelital), 31 estações terrestres — infra-estrutura responsável em trafegar os sinais vindos dos satélites para as demais redes de telefonia — e abrange em torno de 350 mil terminais móveis.
O diferencial da empresa é que é a única fornecedora de capacidade satelital que tem cobertura marítima, podendo oferecer a projetos especiais um acesso à transmissão de voz, dados e imagens. ” Não temos concorrente neste nicho porque as atuais fornecedoras de satélite não consegue oferecer serviços de dados e voz por meio de terminais móveis”, explica Svante Hjorth, diretor regional para América Latina.
A expectativa do executivo é que os novos concorrentes dobrem o volume de negócio nos próximos três anos. Hoje, o Brasil representa em torno de 40% da receita da América Latina, que representa 10% do faturamento mundial da Inmarsat.
Ele revela, entretanto, que não serão os atuais serviços que vão estimular essa nova demanda. Mas sim os serviços conhecidos como BGAN, que são a transmissão de voz, dados e imagens a uma velocidade de 500 Kbps ( hoje a transmissão é de 128 kbps) por meio de terminais menores e com preço em torno de até mil dólares. Os terminais móveis atuais custam em média 4 mil dólares. No Brasil, esses terminais são oferecidos pela Nera.
Infra-estrutura
Dos dez satélites geoestacionários da Inmarsat, dois têm cobertura na região das Américas e, no Brasil, serão disponibilizados para essas seis empresas ( Embratel, Radiomar, Rodosis, JaburSat, Telenor e Xantic).
O modelo de comercialização é uma venda de capacidade satelital sob demanda já que essas empresas têm contratos globais com a Inmarsat. A France Telecom (francesa), a Stratos (canadense), a Telenor (norueguesa) e a Xantic ( holandesa) representam 80% da receita da Inmarsat. Já a Embratel é responsável por menos de 2% desse faturamento.
Essas empresas geralmente são responsáveis pelas estações terrestres ( interconexão com as demais redes), compra dos terminais móveis fabricados pela Nera e Thrane & Thrane, formatação de serviços e, obviamente, venda das soluções.
Até o fim de 2005, a Inmarsat planeja lançar mais satélite na região, que deverá entrar em funcionamento a partir de 2006. com este satélite de quarta geração, essas empresas poderão oferecer os tais serviços BGAN.