Como já citado por reportagem do jornal espanhol El Pais, diferença de peso nas classes de ações reduz participação que companhia terá na operadora italiana.
A Telefônica confirmou hoje, em comunicado ao mercado de capitais, que sua participação na Telecom Italia, proporcional à participação que detém no consórcio Telco, será inferior aos 10% anunciados no dia do acerto com a Pirelli, em 28 de abril.
A companhia reiterou o que uma reportagem do jornal El Pais já adiantava na segunda-feira: sua participação será, na verdade, de 6,9% da companhia.
A Telefônica controla 42,3% do consórcio Telco, firmado com bancos italianos e a Benetton. O consórcio, por sua vez, deterá 23,6% da Telecom Italia com a compra da holding Olimpia.
“Esta participação se refere ao capital ordinário da Telecom Italia, ou seja, ao capital que dispõe de direito de voto. Não considera, portanto, as chamadas ‘acciones de ahorro’, que são títulos que não conferem direitos políticos. Se teoricamente estas ações foram computadas, a participação indireta da Telefônica na Telecom Italia seria, efetivamente, de 6,9%”, diz o comunicado do grupo espanhol.
A compra foi anunciada por 4,1 bilhões de euros, valor que ainda depende de cálculos em relação ao endividamento da Olimpia.
A Telefônica detém a maior fatia do consórcio, mas os sócios garantem que as decisões terão de contar com maioria qualificada, já que o governo italiano se opõe à mudança de controle da Telecom Italia para capital estrangeiro.
Além dos órgãos reguladores italianos, a Anatel e o Cade brasileiros também deverão avaliar a operação, uma vez que a Telefônica controla uma concessionária de telefonia fixa no País (a Telesp) e 50% da maior operadora de celular, a Vivo.
Por seu lado, a Telecom Italia é dona da TIM Brasil e detém uma participação minoritária na Brasil Telecom. Tanto as administrações locais da TIM como da Vivo garantem que, até o momento, não receberam nenhuma orientação de mudança de conduta.