A Ingram Micro é a única distribuidora da Cisco no Brasil além da Mude, cujos principais executivos estão detidos pela Polícia na Operação Persona, assim como os equipamentos apreendidos.
Por isso, Howard Charney, vice-presidente sênior da companhia, aconselha que a Ingram “faça seu trabalho e aproveite a oportunidade” que surge com a situação.
Segundo ele, a Cisco está empenhada em “reajustar o fluxo de produtos no País” para que não haja nenhum tipo de desabastecimento, mas a empresa ainda não pensa em cadastrar outro distribuidor.
“É uma benção, uma ótima oportunidade para a Ingram e para os parceiros que importam diretamente”, afirmou, citando as cerca de 10 companhias que trazem os produtos Cisco diretamente da matriz ao País, entre as quais IBM, Promon, CPM e Equant.
Segundo ele,”a Mude ainda existe legalmente, mas já não opera, isso é um fato”, já que seus executivos estão detidos e todo o seu estoque está inacessível. Por isso, a Cisco sabe que tem de seguir seu negócio sem ela.
De qualquer forma, ele ressaltou que a Mude “fazia um bom trabalho” para os produtos Cisco e respondia por mais da metade dos negócios da companhia no País. “Supostamente ela adotou formas erradas de pagar tributos, mas não agiu de forma errada na distribuição”, afirmou.
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O executivo admite que “podem haver alguns atrasos” na entrega de produtos, mas a Cisco se dispõe a fazer “pequenos ajustes no fluxo de produção mundial” para atender aos clientes locais.
Charney ressaltou, entretanto, que a companhia “não pensa” em ampliar a fatia de sua receita que hoje é atendida diretamente pela companhia. “Quando se adota um modelo de canais, não se pode violá-lo, sob pena do canal deixar de confiar em você imediatamente. Essa é uma regra que nunca se viola”, enfatizou o vice-presidente.