Na casa dos ferreiros do Instituto Eldorado, em Campinas (SP), o espeto é de ferro. “Capacitamos nossos profissionais em projetos internos para aprender como as ferramentas funcionam”, explica Philipe Wegnuller, gerente de tecnologia da informação do Instituto. Um dos mais recentes casos de sucesso foi a adoção de soluções da Borland para acompanhar os processos de desenvolvimento e os testes de software. O projeto, que se transformou em uma parceria, teve início com o objetivo de atender às demandas de ambos: o Instituto precisava aperfeiçoar seu ambiente de desenvolvimento e a Borland estava atuando para aumentar sua rede de parceiros.
O investimento do Instituto foi de R$ 450 mil em pessoal para trabalhar com ferramentas como CaliberRM, Borland Together, JBuilder e Borland Silk. Seguindo a filosofia do aprender fazendo, a capacitação dos profissionais foi toda feita pelo próprio Eldorado. “Queríamos testar o quanto as ferramentas eram amigáveis e ganhar experiência para dar suporte a elas mais tarde”, diz Wegnuller.
No final, criou-se uma vitrine para a Borland. “Um cliente veio aqui e saiu encantado depois de três horas de conversa e de ver os ganhos e os problemas da solução rodando”, conta. O pacote da Borland foi adicionado ao ambiente Racional da IBM, que o Instituto usa para o desenvolvimento de alguns projetos. Foram seis meses de trabalho com uma equipe de quatro profissionais dedicados em tempo integral. E os resultados foram rápidos.
Em testes de regressão, por exemplo, foi possível reduzir a operação de duas semanas para duas horas durante a madrugada, por meio da automatização de tarefas. Em um teste de conceito, foi possível reduzir em 50% o tempo gasto com operações sem automatização. “Além disso, é possível garantir que determinadas etapas foram cumpridas antes de passar adiante”, comenta Marcos Antônio da Silva, analista de soluções e arquitetura do Instituto, e líder do projeto durante sua implementação.
Além desta, o Instituto Eldorado mantêm parcerias com outras grandes empresas como Microsoft, Citrix, Sun e APC. “Por enquanto, o departamento de TI é um custo, mas a expectativa é que ele se torne um centro de lucro, pois os profissionais estão recebendo a capacitação necessária para os projetos dos clientes”, projeta Wegnuller.
Nos últimos cinco anos, o Instituto aumentou em 10 vezes seu quadro de profissionais, passando de 40 para 400 funcionários e cerca de 60 estagiários. O faturamento anual chega a R$ 48 milhões e projetos importantes como um sistema de Bluetooth automotivo desenvolvido com a Motorola para a Chevrolet.
Mais um bom exemplo do potencial dos institutos de desenvolvimento brasileiros e uma confirmação de que, para ter bons resultados, em casa de ferreiro, o espeto deve ser de ferro.