A adoção de soluções com inteligência artificial é um caminho sem volta. A tecnologia está aí para facilitar a vida dos humanos, melhorar a qualidade de vida e possibilitar que estejamos focados no que as máquinas não são capazes de fazer (ainda).
Usar sistemas preditivos em um leito de UTI para ajudar médicos e enfermeiros a antecipar possíveis riscos e aumentar as chances de salvar um paciente é algo que já existe e está bem perto de nós (o INCOR de São Paulo está testando uma solução assim).
Mas ainda há muita discussão sobre até onde as máquinas podem ir, sem que tenham o fator humano. Vamos pensar num cenário onde um paciente está com apenas 1% de chance de sobrevida após alguma intercorrência. Será que a máquina será capaz de interpretar o que significa a interrupção do tratamento? Ela, com certeza, estará programada para fazer o necessário, mas será ético?
Estas discussões ainda devem levar muito tempo e muita massa cinzenta de cientistas, políticos e ehttps://itforum-portal.loomi.com.br/wp-content/uploads/2018/07/shutterstock_528397474.webpsos. Enquanto isto, não podemos abrir mão das vantagens que a inteligência artificial pode trazer para nós, especialmente no dia a dia das empresas.
A maior rede de franquias do Brasil, o Grupo Boticário, conseguiu desenvolver em quatro semanas um protótipo que possibilita reduzir em 15 dias/ano o tempo gasto pelas equipes na reposição de produtos nas prateleiras. Com isso, os vendedores estão livres para interagir com os clientes e oferecer uma melhor experiência de compra. É possível abrir mão deste tipo de benefício nos dias de hoje?
Historicamente já foram feitas escolhas que atualmente, com os conceitos éticos que mantemos, não são mais aceitas. E, uma das questões mais importantes da inteligência artificial, das máquinas aprendendo, é a ética dos homens que as estão programando, controlando e que, em breve, terão suas capacidades de pensamento suplantadas pelas suas criações.
Há quem seja apocalíptico e preveja guerras onde as máquinas irão controlar os homens, como Elon Musk. Quero acreditar que existem pessoas que estão usando estas tecnologias para melhorar a vida de todos. O mundo não será o mesmo, não em 30 anos, mas os próximos anos, 10, ou talvez 5, anos teremos uma outra realidade no mundo, nos negócios e em nossas vidas. O impacto pelo avanço acelerado da adoção de soluções tangíveis também aqui no Brasil é enorme. Sejam novos e transformacionais modelos de negócios e soluções, sejam melhorias no dia-a-dia por meio da otimização de processos. Soluções que aumentem a produtividade dos alimentos, para reduzir a fome. Projetos que permitam que o homem foque na sua capacidade única e inerente de sentir.
Trabalho hoje em uma empresa que está trazendo estas plataformas aos mercado ao mercado e, as soluções desenvolvidas em conjunto com nossos clientes, de todos tamanhos e indústrias, além de startups, já começam a fazer diferença, popularizando o acesso a tecnologias que antes estavam restritas a grandes corporações, que investiam milhões. Os impactos serão muito expressivos. A inteligência artificial veio para ficar, mas precisa ser pensada e repensada nas questões éticas que agora ela começa a esbarrar.
*Cristina Palmaka é presidente da SAP Brasil