Tema ganha espaço nas empresas. Companhias já perceberam que o desenvolvimento de AI traz efeitos muito positivos
A inteligência artificial (AI) vem ganhando espaço entre as inovações disruptivas utilizadas na gestão das empresas. Vista há décadas como uma tecnologia do futuro, a AI é cada vez mais real e presente em nosso cotidiano corporativo.
Muitas vezes não são tão perceptíveis, pois estão embarcadas em ferramentas que já nos acostumamos a utilizar. De fato, a inteligência artificial já está transformando e aprimorando muitos dos processos em todos os tipos de negócios. Isso porque, diante das projeções de especialistas, de que serão gerados 1,7 MB de novas informações a cada segundo, até 2020, é preciso analisar, compreender e interpretar esses dados, identificando padrões e fazendo correlações, em meio a um mar de dados não estruturados, algo que na era da informação demanda a ajuda de algoritmos e equações.
Um dos grandes empecilhos para a aplicação da inteligência artificial até agora foi a desconfiança sobre o tema. Alguns mitos, como o de que máquinas poderiam pensar como humanos e tomar o controle da sociedade, ou mesmo acabar com todos os empregos, felizmente ficaram no passado. Hoje, as empresas já perceberam que o desenvolvimento de AI traz efeitos muito positivos e é fundamental fazer este tipo de investimento para ser protagonista na próxima década, com ganhos claros de produtividade, compliance e competitividade. E, ao contrário do que se temia, a inovação vem ajudando a criar profissões e funções no mercado de trabalho.
Um dos ganhos mais importantes para as empresas é o de competitividade. Assim como a inteligência humana, a AI também possibilita superar a concorrência ao identificar oportunidades e tendências de maneira antecipada. Principalmente em situações nas quais os bons resultados costumam vir em processos bastante demorados.
Uma das possibilidades que a inteligência artificial permite é, por exemplo, identificar oportunidades de recuperar impostos e pagar corretamente seus tributos de PIS/Cofins. Por meio do mecanismo NLU – Natural Language Understanding, em poucos minutos, é possível cruzar dados de centenas de milhares de documentos para saber em quais transações é possível recuperar recursos, além de alertar quais pagamentos precisam ser corrigidos e, assim, evitar multas. Essa mesma análise, feita manualmente, levaria meses para ser concluída, sem contar o altíssimo custo envolvido.
Outra otimização bastante visível para as companhias está no ganho de produtividade. Há algum tempo, a automação já transforma trabalhos manuais em atividades eletrônicas, mais rápidas e livres de erros. A nova onda é unir inteligência a essa robotização. Obter e cruzar dados importantes para o negócio, gerando análises qualitativas que auxiliam a tomada de decisão das empresas.
Um bom exemplo pode ser visto em operações de importação e exportação de mercadorias. A partir do histórico de transações da companhia e as regulamentações de mais de 160 países, ferramentas com AI embarcada conseguem fazer a classificação fiscal automática das mercadorias que serão comercializadas. Além de agilizar o processo e evitar erros, o sistema identifica padrões entre os produtos e aprimora ainda mais a classificação, facilitando toda a gestão tributária do negócio.
Outro benefício fundamental é no compliance e gestão de risco, assuntos que ganharam ainda mais importância nos últimos anos. Sobretudo em um país com tamanha a complexidade fiscal como é o Brasil. Com a inteligência artificial é possível, de maneira rápida, identificar dentro das práticas atuais da empresa, o que é preciso ser adequado para se obter conformidade legal. O mecanismo de IA consegue cruzar essas informações e alertar sobre problemas antecipadamente.
E isso é apenas o começo. Com os avanços tecnológicos em escala exponencial, muito mais está por vir. Em breve, a Inteligência Artificial vai trabalhar de forma invisível e quase espontânea para identificar e antecipar riscos e oportunidades que sequer imaginamos para nossos negócios. Mas qual é o limite, até onde podemos chegar? Hoje é impossível prever. Só nos resta viver e aproveitar ao máximo o que a tecnologia pode nos proporcionar.
*Marcos Bregantim é diretor de Produtos para o segmento corporativo da Thomson Reuters Brasil