É fácil se preocupar com a forma que a inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) vai nos tratar. Algumas pessoas estão tentando resolver os desafios relacionados ao tema antes mesmo de ele se popularizar.
Pergunte à assistente digital da Apple, Siri, se ela está mal, e ela vai responder secamente: “Na verdade, não”. Repita uma frase famosa do filme “2001: Uma Odisseia no Espaço“, na qual um computador em uma nave espacial mata quase toda a tripulação humana, e Siri falará: “Oh, de novo não.”
Quem devemos culpar? Nós, seres humanos, acreditamos que máquinas vão nos eliminar ou nos escravizar. Encare a realidade. Para cada amável R2-D2 e C-3PO do Star Wars é o lado escuro que parece mais: os Cylons, que quase erradicam a civilização humana em Battlestar Galactica, ou Skynet e seus guerreiros robôs assassinos do Terminator.
Os especialistas do tema, no entanto, não encaram inteligência artificial dessa forma. “A maioria dos cenários de Hollywood que vemos é completamente implausível”, afirma Yann LeCun, diretor de pesquisa de AI do Facebook.
Apesar disso, há quem veja graves perigos à frente. Stephen Hawking, Bill Gates e Elon Musk alertam que a indústria deve proceder com cautela em relação ao tema. Nick Bostrom, filósofo e autor do livro “Superintelligence: Paths, Dangers, Strategies “(Superinteligência: Caminhos, Perigos, Estratégias, em tradução livre), está na vanguarda dos perigos. Para ele, o advento de máquinas inteligentes apresenta o “mais importante e difícil desafio que a humanidade já enfrentou”.
Muitas empresas já estão conduzindo seus projetos de TI, como Google, IBM, Microsoft e Facebook promovendo melhorias em diversas áreas, ajudando médicos a diagnosticar doenças, e pessoas a gerenciar suas ações na bolsa. Até mesmo a Toyota está apostando no tema. A empresa anunciou recentemente investimento de US$ 1 bilhão em pesquisa de inteligência artificial.
O que acontecerá daqui para frente?
Há muitos estudos apontando que máquinas vão tomar o trabalho das pessoas. Contudo, computadores são baseados na lógica e há um lado perigoso nisso. Imagine uma máquina que decide curar o câncer erradicando toda a vida na Terra. Esse é o cenário projetado por Stuart Armstrong em seu livro” Smarter than Us” (Mais esperto do que nós, em tradução livre). Peça para inteligência artificial aumentar o PIB e ela pode dizimar várias cidades, porque, afinal, a reconstrução delas criaria empregos e aumentaria gastos.
“Estamos gastando bilhões para chegar no futuro o mais rápido possível, com absolutamente nenhuma ideia do que acontecerá quando chegarmos lá”, diz Stuart Russell, professor de ciência da computação da Universidade da Califórnia, Berkeley, e coautor do livro “Artificial Intelligence: A Modern Approach” (Artificial inteligência: uma abordagem moderna, em tradução livre).
É o cenário do caos? Não. A boa notícia é que algumas pessoas estão tentando descobrir respostas para as perguntas difíceis antes de chegar em um caminho muito adiante.
Olhando o lado positivo
Como tudo na vida, há aqui um ponto positivo. Inteligência artificial poderia salvar inúmeras vidas que seriam perdidas em função de doenças, erros hospitalares ou humanos descuidados. Poderia, ainda, nos ajudar a descobrir como dirigir em condições climáticas desfavoráveis, avalia Eric Horvitz, fundador do estudo 100 anos da Universidade de Stanford em inteligência artificial e diretor do laboratório de pesquisa da Microsoft em Redmond, Washington.
“É possível que as vantagens superem as desvantagens, e as desvantagens podem resolver com cuidadosa consideração e trabalho pró-ativo”, diz Horvitz.
Nem todo mundo acha que é necessário se preocupar com essas questões agora. Sam Altman, copresidente do OpenAI, prevê que inteligência artificial será cultivada de forma transparente. Isso significa que decisões sobre seu avanço acontecerão com participação de políticos, acadêmicos e líderes da indústria.
Por enquanto, o avanço da inteligência artificial vai consumir certo tempo. O que é certo é que todos estão ansiosos para saber o futuro dessa novidade. Façam suas apostas!