Após estar alguns anos em evidência em feiras e conferências, a internet móvel do futuro apareceu nas telas dos celulares durante o evento CTIA Wireless, que acontece em Las Vegas, esta semana.
A Intel, Motorola e a start-up de WiMAX Clearwire ofereceram aos jornalistas um passeio em um SUV da GM equipado com uma conexão WiMAX com velocidade de 2 Mbps. E companhias como Microsoft e Nokia demonstraram tecnologias e serviços que dão a consumidores e profissionais uma experiência equivalente à da internet fixa em dispositivos móveis – em qualquer lugar, a qualquer hora e a qualquer velocidade.
“Esta é uma mudança que vai redesenhar o futuro de nossa indústria e determinar o sucesso, evitando a falência, de nossas companhias “, disse Arun Sarin, CEO da Vodafone, como keynote do evento. “A internet móvel está aqui de verdade, e está acontecendo agora”.
Um dia antes da CTIA, a Microsoft revelou sua versão mais nova de seu sistema operacional para mobilidade, o Windows Mobile 6.1, que inclui a última edição do Internet Explorer Mobile e promete oferecer navegação em dispositivos móveis a um “nível de desktop”.
A Nokia, maior fabricante de celulares, apresentou seu primeiro aparelho equipado com conectividade WiMAX, o N810 Internet tablet. O dispositivo vai rodar na rede futura rede WiMAX da Sprint, chamada Xohm, cujo lançamento comercial está previsto para este ano, nos Estados Unidos. A Xohm dá a sua provedora uma “vantagem de dois anos em time-to-market”, sobre as tecnologias de banda larga wireless denominadas 4G, incluindo a Long Term Evolution (LTE), afirmou Dan Hesse, CEO da Sprint, como keynote da CTIA.
Mas a verdadeira internet móvel encontra desafios. “Se há uma massa de mercado para ser desenvolvida em banda larga wireless, não há espectro adequado” disponível nos Estados Unidos, mesmo depois do recente leilão de 700 MHz ocorrido no país. A afirmação é de Marshall Pagon, CEO da start-up de WiMAX Xanadoo.
E o desenvolvimento da Xohm foi afetado pelas turbulências que a Sprint enfrentou durante no ano passado, e sua estréia em poucas grandes cidades norte-americanas, como Chicago and Washington, D.C., ainda será postergada para meados do ano.
O sucesso da Xohm será determinado pelo quanto a Sprint tiver sucesso em seu negócio core, de celulares – e se a companhia conseguir fechar um acordo com a Clearwire e com a Comcast para ajudar a custear o investimento.
Há também disputas de padrões aparecendo na banda larga wireless. Sarin, da Vodafone, defendeu em seu discurso que o WiMAX seja considerado como “como parte da seção TDD [Time Division Duplex] do padrão LTE”. A posição arrancou aplausos fervorosos da platéia da CTIA, mas não é vista como favorável à Sprint e outros que estão bancando o WiMAX.
E mesmo que a nova era chegue, as formas antigas de tecnologia podem ser mais confiáveis. Para demonstrar o N810, a Nokia suspendeu os jornalistas a 180 pés acima do Vegas Convention Center. Os dispositivos funcionaram bem – mas não estavam usando WiMAX. Foram conectados por Wi-Fi, já que a Nokia não estava autorizada a usar a rede temporária configurada pela Motorola e Clearwire.