Você deve estar cansado de ouvir previsões de que chegaremos a 2020 com mais de 50 bilhões de dispositivos conectados à internet, certo? A tão falada internet das coisas (IoT) que aos poucos ganha espaço no nosso dia a dia – seja via cobrança automática de pedágio, telemetria em veículos para tarefas diversas e, mais recentemente, com os wearebles – já começa a dar sinais claros de impactar a rotina dos negócios. O assunto esteve em pauta em painel realizado no Ciab 2014, em São Paulo, onde foi discutido como essa tendência afetará o setor financeiro.
Como frisou Paul Jameson, diretor do Global Industries Center for Expertise da Cisco, o mundo conectado representa uma grande oportunidade de negócio, mas mais ainda dentro do ambiente corporativo. Para ele, sabendo analisar bem as informações gerada pelo fenômeno, as possibilidades de ganhos serão imensas.
“Tenho coletado essas informações, analisado e utilizado para tomada de decisões que é o potencial trazido por esse fenômeno? Podemos fechar esse ciclo e realizar o processo em tempo real, captando todas as oportunidades. Mais de 80% das transações não passam pelas mãos das pessoas. Isso acontece pela coleta dinâmica de dados”, explicou Jameson.
A inteligência analítica parece mesmo ser um ponto em comum em todos que observam e avaliam quando o assunto é tirar proveito desse fenômeno dentro das grandes corporações. Marcelo Frontini, diretor de inovação do Bradesco, lembrou que, neste momento, estamos na transição do analógico para o digital, o que vale também para os bancos, onde existem clientes que preferem ir à agência, outros preferem a web ou ainda telefone e caixas eletrônicos.
“IoT na indústria financeira pedirá uma capacidade analítica mais forte de como entender, interpretar e agir. E ainda tem o cliente querendo interações diferentes a depender do momento da vida. Se o relógio inteligente passar a ter a capacidade de emitir uma informação de que o cliente está nervoso, o banco poderá saber que não é um bom momento para oferta de produtos, assim o devices inteligentes poderiam ajudar. Nossa posição é que a indústria financeira não abre mão de ter o cliente como ponto principal na avaliação de como atender”, pontuou.
Frontini afirmou ainda que outro debate frequente dentro do banco tem sido a análise de como as interações M2M vão excluir funções corriqueiras do cotidiano, o que, na visão do executivo, pode ser positivo, já que liberará muitas pessoas para pensarem em questões mais estratégicas e em formas de entender e atender melhor o cliente.