As empresas de tecnologia estão realmente sentindo os efeitos do cenário econômico. Quando se olha para segmentos que já eram desafiados independentemente da economia, como é o caso de PCs, o efeito é ainda maior. Somado à instabilidade está a alta do dólar, que trará a partir do fim dos estoques, uma elevação nos preços dos produtos, mesmo aqueles produzidos no Brasil, já que a maior parte dos componentes são importados. Dado do cenário, a Intel prevê um 2016 com mais desafios.
Como observou o presidente da fabricante no Brasil David Gonzalez, 2015 está sendo um ano complicado para qualquer segmento, mas ainda assim, a Intel tem conseguido registrar números positivos em algumas frentes. “Desde o ano passado mais que triplicamos volume de tablets e de 2 em 1, além disso, a transição para a quinta geração de processador está sendo muito rápida no Brasil”.
Por outro lado, a companhia enfrenta desafios com o segmento de PCs. O primeiro deles é a própria demanda que vem em queda nos últimos anos. Dados da IDC apontam que este ano o mercado de PCs deve cair quase 9%, enquanto em 2016 o segmento seguirá em queda, podendo acumular perdas de 1,1%. O segundo é a valorização do dólar que, juntamente com mudanças na Lei do Bem, deve começar a ser sentida fortemente com o fim dos estoques a partir de dezembro ou janeiro. Assim, a fabricante precisa apostar em mobilidade, intensificando as ações com parceiros, além de tablets e 2 em 1, modalidade de computadores que tem tido boa aceitação.
“Mas a expectativa para 2016 está conservadora, não sabemos como será o apetite do brasileiro por esse tipo de dispositivo”, assinala, Gonzalez.
Algo que pode destoar nos números da companhia vem do mercado corporativo. O executivo observou avanço importante na adoção de nuvem e vê grandes possibilidades em gestão desse tipo de ambiente. Além disso, por meio da Intel Capital, a companhia fez aportes de investimentos em frentes que podem ajudar como é o caso da Mandic Cloud Solutions.
Ainda no campo corporativo, internet das coisas (IoT) segue como aposta da companhia e é visto como frente que mais pode alavancar o crescimento. Em 2014 e neste ano a média de crescimento da área deve ser entre 20% e 30%. A aposta, neste caso, está mais no ramo industrial e menos em consumidor, que ainda carece de maturidade. Gonzalez comentou ainda que soluções para data center também trazem boas perspectivas de crescimento. A expectativa em âmbito global é de um avanço de 15% nessa área em 2016.