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Kyoto, informática e o fracasso dos automóveis americanos

Publicado:
13/06/2010 às 00:07
Leitura
6 minutos
Kyoto, informática e o fracasso dos automóveis americanos

O mundo está esquentando, isso é fato e há claros indícios que nós, humanos, estamos provocando uma mudança climática no planeta de grandes proporções. Estamos estragando o planeta fazendo algo simples: retirando o carbono que está no subsolo, bem guardado após milhares de anos de atividade geológica e evolução de espécies, e jogando-o na nossa atmosfera, no ar que respiramos. Em síntese, é isso que estamos fazendo.

Na iniciativa de conter esse estrago, 178 países assinaram a partir de 1997 o Protocolo de Kyoto onde, entre outras coisas, estão as metas de redução de gases de efeito estufa, entre eles o carbono. Os Estados Unidos da America, o maior emissor de gases tóxicos do planeta não assinou e não segue o protocolo (estudos indicam que a China, o segundo maior emissor, representa apenas 54% do total emitido pelos EUA, além de ter uma taxa de emissão per capita muito menor). A Administração Clinton (na época) entendeu que a adesão ao Kyoto representaria um enorme custo à economia americana para adequação de suas indústrias, e entendeu também que não havia provas suficientes indicando que a causa do problema seriam as emissões americanas…

Evidentemente que haviam opiniões contrárias dentro desse governo, e o Vice-Presidente Al Gore, assim que acabou seu mandato assumiu publicamente a defesa do meio ambiente e a adequação aos novos padrões de emissões.

A Administração seguinte, do “brilhante” George W. Bush, alegou que os fabricantes de automóveis americanos literalmente quebrariam se tivessem que adequar seus carros aos novos padrões, e que o custo social dessa quebradeira seria alto demais para os americanos e ao “American Way of Life” (estilo de vida americano, um emblema clássico). O caso do 11 de Setembro mostrou que essa administração não costuma ler relatórios de tendências, e de fato não leu o relatório europeu que indicava que haveria um grande benefício econômico se tal protocolo fosse seguido, e não ao contrário, como pensava os estrategistas de Bush.

O fato é que hoje, na metade do ano de 2008 e 10 anos após o lançamento do Protocolo de Kyoto, a indústria americana automotiva está quebrada, o petróleo está perto de 150 dólares o barril tendendo a 200 dólares no final do ano, quando custava em média 18 dólares em 1997-ou 25 dólares corrigindo pela inflação do período. As ações da GM (General Motors) estão mais baixas hoje do que estavam em 1954, e caíram 75% nos últimos 12 meses, e 87% desde o protocolo de Kyoto. As ações da FORD caíram 50% nos últimos 12 meses, e 80% desde 1997. Não há saída no curto prazo, pois além da inadequação dos veículos, há uma tremenda crise de crédito nos EUA atualmente. Mudar os veículos envolve um imenso investimento, e um tempo de maturação que os investidores não estão propensos a aguardar. É provavelmente o fim de uma era.

O problema dos automóveis americanos é que ninguém os quer mais. Nem mesmo os americanos. Com a adoção do protocolo de Kyoto, todos os países do mundo (exceto EUA) exigem carros econômicos e pouco poluentes, e em um mundo globalizado isso significa que os automóveis japoneses, coreanos, chineses, indianos, europeus e até alguns brasileiros tem mais aceitação mundial do que os inadequados automóveis americanos. Enquanto o petróleo era barato, os americanos seguiam comprando carros americanos ( Buy American! é o slogan mais popular) e esbanjando combustível. Há vários anos que o veículo mais vendido nos EUA não é um carro de passeio, e sim uma enorme Pickup seguido de perto por vários SUV (Sport Utility Vehicles-pickups V8 adaptadas para família) para só depois da lista aparecer o primeiro carro de passeio (e japonês). Hoje o mercado mudou radicalmente, e as pickups e SUV da Ford e GM estão encalhadas no pátio, e as exportações de veículos americanos são desprezíveis. Ninguém quer pagar a conta no posto de gasolina.

Vivendo em uma ilha auto-suficiente, os EUA desprezaram solenemente as novas tecnologias de motorização automotiva, incluindo os carros híbridos, elétricos e a álcool (ou E85, um combustível 85% etanol e 15% gasolina que é muito mais interessante que o nosso álcool puro ou gasolina com 25% de álcool, pois não precisa de tanquinho extra para ligar de manhã). Hoje eles simplesmente não têm o que vender, nem para os americanos, nem para o resto do mundo porque a maioria dos seus veículos não atende as regras do protocolo.

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Curiosamente, o que matou os clássicos Muscle Cars nos anos 70 foi a crise dos combustíveis, e agora em pleno século 21 esses símbolos do desperdício ressurgem em mais um momento econômico inadequado. Os novos Dodge Challenger e Chevrolet Camaro serão mais uma vez vitimas do cenário econômico mundial. Mas isso todo mundo sabia, menos os executivos da GM e da Dodge.

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O que isso tem a ver com informática? Certamente muita coisa. Ontem a noite estava conversando com Alexandre Ziebert e ele me falava dos problemas envolvendo explosão de capacitores em placas mãe AM2+ quando combinadas com o Phenon 9850 de 125W de consumo. Hoje, lendo um artigo do Tom’s Hardware descobri, para minha surpresa, que os novos chipsets P45 da Intel, mesmo gravados em 65nm, consomem mais energia que os antigos P35 de 90nm e não acrescentam ganhos de performance significativos.

Lendo alguns artigos sobre a nova ATI 4870 (na prática uma versão “overclock” da 4850) percebi que essa placa é menos eficiente energeticamente que a 4850 pois aumenta consideravelmente o consumo elétrico para um ganho de performance pequeno. As novas placas Geforce também não são muito diferentes em termos de consumo elétrico. Soube também, em recente teste no Tom’s Hardware, que os discos rígidos SSD baseados em memórias flash muitas vezesque as versões magnéticas tradicionais.

Existe algum “Protocolo de Kyoto” para a indústria de informática? O que essas empresas estão esperando?

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