A internet ampliou a superfície de exposição das companhias, Abriu portas a negócios e, na mesma medida, expôs vulnerabilidades. “Com o aumento da nossa interatividade e do número de usuários com acesso à web, avolumaram-se os potenciais perigos”, sintetiza o gestor de TI da Linpac Pisani, Claurecir Roberto Volfe. A indústria produz materiais injetados para aplicações industriais, agropecuárias, alimentícias e automotivas.
Volfe verificava, dia após dia, o crescimento na quantidade de ameaças externas aos sistemas da companhia. O firewall e o roteador barravam uma parte delas, enquanto o servidor se encarregava do resto. O gestor calcula que eram tratados cerca de 40 mil e-mails por dia, dependendo da época do mês. Em suas palavras, deste total, dois terços eram lixo – entre spam, vírus e mensagens sem conteúdo relevante. Há uns cinco anos, ele identificou que a revisão da infraestrutura tecnológica para manter o ambiente seguro tornou-se premissa constante.
Com o tempo, hardwares, softwares e links de comunicação não suportavam a expansão no volume de ameaças. Novos investimentos se faziam necessários. “Por fim, tinha um gargalo e precisava estar sempre preocupado com a atualização da tecnologia. Gerava um grande trabalho tratar essa montanha de lixo. Eu precisava fazer reciclagem em vez de ter essa infraestrutura voltada para meu negócio.”
Os servidores sobrecarregados comprometiam o tráfego, fazendo com que os usuários externassem descontentamento. “Imagine a chegada de 40 mil mensagens e todo mundo esperando na fila de processamento até recebê-las?”, questiona o executivo que, para suprir as carências trocava máquinas e duplicava links constantemente. “A banda trabalhava sempre no máximo”, resume o gestor. Diante de tal cenário, o executivo percebeu que a única forma de sair desse círculo vicioso seria mudar a forma como as coisas funcionavam.
Usuário dos sistemas de segurança Trend Micro desde os anos 90, o CIO encontrou na fornecedora uma alternativa a suas demandas, quando a provedora tornou disponível no mercado uma solução de processamento e filtro das mensagens em ambiente externo. Com apoio consultivo da Constat – canal da fabricante – a Linpac Pisani chegou a tecnologia chamada IMHS (interScan messaging hosted security), que direciona os e-mails para um filtro em hospedado na internet antes mesmo de eles chegarem na empresa. “Sempre achei interessante a ideia de cloud computing”, considera Volfe.
O projeto começou com um teste em meados de 2008. Durante esta fase, já era possível notar os ganhos propiciados pela segurança “em nuvem”. Verificava-se melhor aproveitamento do link de internet, uma vez que 89% dos e-mails indesejados, spams e phishing passaram a ser processados bloqueados em um dos cinco data centers da Trend Micro espalhados pelo mundo antes de serem entregues nas caixas de mensagem da Linpac Pisani. A solução atua basicamente da mesma maneira do sistema anterior, chamada IMSS (interscan messaging security suíte). “A diferença é que o processo acontecia internamente”, detalha, explicando que agora é o servidor do fornecedor que trata as mensagens e as entrega no firewall da companhia.
O executivo reforça que todas as questões de confidencialidade foram avaliadas na adoção do modelo de computação em nuvem para a solução de segurança. “Eu passaria os dados da empresa para um parceiro”, pondera o gestor, informando que esse ponto precisou ser esclarecido por contratos de níveis de serviço (SLA, na sigla em inglês) que garantam o sigilo dos dados processados. Volfe avalia a primeira incursão em cloud como a melhor experiência possível. “Foi um processo bem fácil de provar a viabilidade e o retorno”, dizendo que, em termos de tecnologia não há grandes variações entre o IMSS e o IMHS.
De acordo com o executivo, o pacote da solução ativa para cem usuários consome praticamente os mesmos valores da solução anterior. A diferença, diz o gestor, percebe-se na redução do montante de recursos alocados em novos equipamentos e folga entre 50% e 70% na banda de comunicação, além de melhoria de 60% no desempenho dos sistemas de gestão empresarial. O volume de dados recebidos caiu numa ordem de 70%, desafogando toda uma parte de gerenciamento de infraestrutura. “Em um ano, a economia ultrapassa R$ 50 mil”, dimensiona, dizendo que um dos poucos investimentos no projeto vincula-se ao custo da reconfiguração promovida no sistema.