Segundo Capgemini, setor ainda está longe de apresentar casos de uso de tecnologias para medicina preventiva ou diagnósticos habilitados por IA
Apesar dos avanços em conectividade e tecnologias emergentes com foco em saúde, o número de empresas de ciências da vida que estão testando ou aprovaram produtos de saúde conectada no mercado permanece relativamente baixo, segundo relatório da Capgemini Research Institute. O estudo “Unlocking the Value in Connected Health” entrevistou 523 executivos, de 166 empresas de ciências da vida nos setores farmacêutico e de biotecnologia em sete países da América do Norte, da Europa e da Ásia.
De acordo com o estudo, espera-se que o número de ofertas de saúde conectada aprovadas cresça 40% nos próximos cinco anos, devido a seu forte potencial para aumentar o envolvimento do paciente, novas possibilidades de tratamento e diagnóstico precoce, e detecção de doenças. Entretanto, atualmente apenas 16% das empresas do setor vão além da prova de conceito de suas iniciativas. A maturidade geral em saúde conectada para a maioria das organizações está apenas “emergindo”, segundo o relatório.
As principais áreas terapêuticas para os futuros produtos de saúde conectada nos próximos cinco anos incluem doenças relacionadas à neurociência, como esclerose múltipla, Alzheimer e epilepsia, seguidas por doenças raras e imunologia.
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Mais de 50% das organizações do setor planejam desenvolver casos de uso nos próximos anos para monitoramento remoto de pacientes, aplicativos de biomarcadores digitais e diagnósticos preditivos habilitados para IA e medicina preventiva. No entanto, segundo o estudo, o setor ainda está longe de realizar esses tipos de casos de uso e apenas um quarto das organizações de ciências da vida pesquisadas são maduras nas principais áreas de saúde conectada, como estratégia de portfólio, design de produtos e desenvolvimento de produtos.
A pesquisa também descobriu que menos de um terço das organizações têm os recursos digitais, tecnológicos e colaborativos necessários para iniciativas de saúde conectada bem-sucedidas. Por exemplo, apenas um quarto utiliza inteligência artificial para executar análises preditivas em dados em tempo real dos produtos de saúde conectada. Menos ainda (21%) têm um centro de excelência para impulsionar inovação, sinergia e melhores práticas em suas ofertas de saúde conectada.
“A demanda e a oportunidade de melhorar os resultados dos pacientes existem hoje, e várias tecnologias prometem revolucionar as vias de tratamento e as interações dos pacientes com os profissionais de saúde. Para colher os benefícios das tecnologias de saúde digital, as organizações precisarão abordar as habilidades, a tecnologia e as lacunas estruturais para construir um portfólio de saúde conectada escalável, personalizado e integrado. Organizações maiores de ciências da vida mostram sinais mais promissores de maturidade, mas, com grandes players de tecnologia também de olho no potencial, o mercado como um todo precisa avançar no mesmo ritmo”, destacou Olivier Zitoun, Líder Global da Indústria de Ciências da Vida da Capgemini.
As organizações que têm a maturidade de saúde conectada necessária e estão além da fase de estratégia são predominantemente as empresas maiores. Quase metade das organizações de ciências da vida com mais de US$ 20 bilhões em receita disseram que estão maduras em estratégia e planejamento de portfólio contra apenas 17% das empresas com menos de US$ 1 bilhão.