O avanço da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) acontecerá muito rapidamente nos próximos anos. Segundo o estudo Cisco Visual Networking Index (VNI) para o período de 2015 a 2020, mundialmente, as conexões Machine to Machine (M2M, na sigla em inglês) devem aumentar quase três vezes, de 4,9 bilhões em 2015 para 12,2 bilhões em 2020. No total, novos dispositivos e conexões somarão 26,3 bilhões, fazendo da M2M mais da metade do número.
Giuseppe Marrara, diretor de Relações Governamentais da Cisco, destaca que os segmentos que mais vão apostar em M2M são casas, formando o conceito de connect houses, para controle de acesso, sensores de presença e câmeras. O segmento de domicílios conectados terá o maior volume de conexões M2M no período, subindo de 2,4 bilhões em 2015 para 5,8 bilhões em 2020 – quase metade de todas as conexões M2M.
Em seguida estão os escritórios conectados; carros conectados; e a área de saúde, que apresentará crescimento mais rápido (cinco vezes mais) de conexões M2M, saltando de 144 milhões em 2015 para 729 milhões em 2020.
Todas essas conexões, além de outros elementos como uso massivo de vídeo, crescimento de usuários móveis e com acesso à web, vão triplicar o tráfego IP global, gerando uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 22% nos próximos cinco anos. Haverá mais de 1 bilhão de novos usuários na comunidade global da internet, que passará de 3 bilhões em 2015 para 4,1 bilhões, em 2020.
No Brasil, o tráfego IP crescerá cerca de três vezes entre 2015 e 2020, a uma taxa anual composta de 21%, atingindo 4,4 exabytes por mês em 2020 (acima do 1,7 exabyte por mês registrados em 2015).
De acordo com o levantamento, os serviços de vídeo e de conteúdo permanecem líderes em relação a todas as outras aplicações. O vídeo será responsável por 79% do tráfego global da internet em 2020, superando os 63% registrados em 2015. Em solo nacional, o tráfego de vídeo IP no País atingirá 3,7 exabytes por mês em 2020, acima do 1,2 exabyte por mês em 2015.
Sobre a velocidade de conexão, Hugo Baeta, diretor para o segmento de operadoras da Cisco, destaca que a velocidade média da banda larga fixa no País vai crescer 2,3 vezes, de 2015 a 2020, passando de 8,5 Mbps para 19,5 Mbps.
O mundo vai chegar a 3 trilhões de minutos de vídeos transmitidos via web por mês em 2020 – o que equivale a 5 milhões de anos de transmissão por mês ou cerca de 1 milhão de minutos de vídeo transmitidos por segundo. E a internet suportará também maior qualidade: conteúdos em HD e ultraHD representarão 82% do tráfego de vídeo na Internet em 2020, superando os 53% registrados em 2015.
A questão da segurança também foi abordada no levantamento. Baeta relata que o roubo de informações vai saltar e fazer empresas perderem bilhões. Dos 780 casos de roubos de informações registrados em 2015, foram roubados mais de 177 milhões de registros. “Há uma estatística de que para cada registrado roubado há perda de US$ 140, ao multiplicar por tudo que foi perdido no ano passado, o prejuízo é de bilhões de dólares”, contabiliza o executivo mostrando o cenário preocupante.
O estudo indica que ataques Distributed Denial of Service (DDoS), que são capazes de paralisar sistemas de internet ao inundar servidores e dispositivos de rede com tráfego de várias fontes IP, chegam a 10% do tráfego de web de todo um país durante a ação.
Nos próximos cinco anos, estima-se que os ataques DDoS aumentarão de 6,6 milhões para 17 milhões podendo gerar colapso na rede. Segundo os executivos da Cisco, esses dados mostram a necessidade de gerar medidas de segurança mais abrangentes para proteção de dados e para diminuir a exposição das redes.