Os funcionários e representantes da Amazon ansiosos por ver em primeira mão os produtos que a Microsoft irá disponibilizar em sua loja na Worldwide Partner Conference ficaram desapontados. A Microsoft, que já havia barrado funcionários do Google, VMware e da Salesforce.com de estarem na WPC, também proibiu trabalhadores da Amazon de comparecer ao evento deste ano, que acontecerá entre 13 e 17 de julho, em Washington.
A fabricante do Windows não comentou a decisão de barrar a Amazon do evento, que em 2013 atraiu 14 mil pessoas, vindas de mais de 150 países. No entanto, a decisão não é tão surpreendente. Microsoft, Amazon Web Services e Google estão em constante guerra de preços de serviços na nuvem, em uma batalha que não mostra sinais de acabar tão cedo.
Após lançar o Azure, solução de infraestrutura como serviço (IaaS) em abril, a Microsoft entrou em competição direta com os preços dos serviços de nuvem oferecidos pela Amazon Web Services (AWS), em constante redução segundo política da companhia. A Microsoft, contudo, enxugou os preços duas vezes neste ano, a mais recente delas em abril, e agora afirma que o Azure é mais barato que o AWS para determinados tipos de servidores virtuais.
Segundo fontes envolvidas no caso, a Microsoft está insatisfeita por perder diversos gestores e outros funcionários para a AWS nos últimos meses. Por mais que essa movimentação de empregados entre as empresas seja comum, devido à proximidade da localização das empresas, as intensas disputas por mercado estão fazendo disso algo cada vez mais comum.
O relacionamento da Microsoft com a Amazon, contudo, não deverá se transformar em um ódio imediato, como aconteceu com o Google. A companhia é uma importante parceira da Microsoft, vendendo grandes quantidades de Windows Server, SQL, SharePoint e outros softwares em sua nuvem.
A Microsoft acrescentou diversas ferramentas ao Azure recentemente, tornando suas ofertas de IaaS mais “preparadas para o mercado”, incluindo autenticações multifatores e sign-on únicos para aplicativos SaaS. Isso poderá ajudar a Microsoft a afastar consumidores do AWS, conforme explicou Matt Scherocman, presidente do Interlink Cloud Advisors, uma empresa parceira da Microsoft, em entrevista à CRN EUA.
O desprezo da Microsoft com relação a AWS é o conflito mais recente dentre uma série de casos nos quais vendedores usaram os espectadores de uma conferência como ferramenta competitiva. Em fevereiro, a VMware pediu aos parceiros Nutanix e Veeam que não viessem para a sua conferência. Após o episódio, foi descoberto que a VMware estava preocupada que a Nutanix flertasse com seus engenheiros.
No mesmo mês, a Red Hat cancelou o patrocínio da Piston Cloud´s de sua conferência anual após perder um contrato para a startup OpenStack, localizada em San Francisco. Posteriormente, a Red Hat mudou de ideia e convidou novamente a Piston Cloud.