Há um ditado popular que diz “um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”. Você acredita nisso? Se eu puder fazer um paralelo com as panes de disco rígido que experimentei nos últimos tempos este ditado é uma imensa bobagem! Em setembro escrevi aqui no ForumPCs sobre um incidente com o HD do meu notebook em pleno IDF em San Francisco. Esse é só mais um exemplo.
Mas eu me dei conta da quantidade de panes que tenho experimentado só neste sábado quando fazia uma pequena faxina em meu escritório encontrei diversos HDs cadáveres espalhados por vários cantos. Posso assegurar aos leitores que fiz uma limpeza parecida há uns dois anos mais ou menos portanto toda essa história aconteceu que relato aconteceu em um prazo máximo de 3 anos.

Puxando pela memória eu pensava que a grande maioria das panes tinha sido com HDs da marca Maxtor, que de fato aconteceram (várias). Mas a amostra mais recente mostra que os “Gremlins” foram mais democráticos desta vez. Atacaram Maxtor, IBM, Quantum, Western Digital e também Seagate e diversas capacidades. Algumas das panes foram muito curiosas e por isso vou relatá-las brevemente.
O caso do HD Western Digital de 120 Gbytes (o mais a direita na figura acima) era de uma máquina P4 3.06 Ghz HT que tive e que por um acaso do destino ficou várias semanas desligada. Um belo dia fui usá-la de novo e… HD morto. Tentei diversos truques para tentar salvá-lo até passar o dia no freezera 20 graus negativos. Nada. Sem chance. Com um agravante nem a BIOS reconhecia mais o maldito. Morte física e cerebral de uma só vez! Foi encostado.
O HD IBM (segundo da esquerda para a direita) é, ou melhor, era de 40 Gbytes. Ele teve seus dias de glória como disco principal de um AMD Atlhon XP que tive. Mas após cumprir sua missão ficou guardado até que foi utilizado como disco Temporário de minha estação multimídia. Configurei-o como um disco D:, criei o arquivo de SWAP nele, transferi todos os TEMP do Windows para um pasta TEMP nele bem como os temporários da Internet. Assim meu HD principal de 200 Gbytes ficava lindo leve e solto para captura de vídeo. Casualmente nesta máquina, um AMD 64 3200+ tenho também alguns poucos jogos instalados que jogo com meus filhos. Um dia no meio de uma partida de GP4 com meu filho, ou melhor, enquanto tomava meio segundo por volta dele, começou aquele barulho que chamo de CREC-CREC da morte. Como o jogo estava bom e funcionando pensei ser algum barulho do cooler ou algo parecido. Quando desliguei essa máquina, no dia seguinte nem boot dava!!!! Eu gelei pensei que era o discão de 200 Gbytes (meu C: ). Demorou uns dias até eu criar coragem e fazer alguns testes, até que por engano desliguei o HD IBM e tudo funcionou. O XP reclamou de falta de SWAP, falta de TEMP etc. mas nada que um boot em Modo de Segurança não tenha resolvido. Perdi meu HD TEMP IBM!
O mais triste do todos é o caso do MAXTOR de 200 Gbytes (o primeiro disco da foto acima no lado esquerdo). Como falei ficava na minha estação de captura de vídeo. De forma muito parecida com o que aconteceu com o WD 120 Gbytes, após o PC ficar alguns dias desligado (uns 10 dias) ele também teve seu passamento de forma definitiva, nem a BIOS o reconhece mais. Pior! Comprei esse HD em uma viagem que nem lembro mais a loja e nem nota tenho mais. Os dados não perdi nenhum pois já sou crescidinho o suficiente para ter um backup atualizado, mas ficou o prejuízo financeiro e um PC sem funcionar em meu escritório.
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Há outros casos de alguns HDs Quantum e Seagate (esses SCSI-mais velhos) que não lembro os detalhes. Mas não importa. Esses casos chegam ao ponto que quero discutir nesse final de minha coluna. Será que os famosos MTBF (mean time between failures-tempo médio entre falhas) divulgados pelos fabricantes são de fato reais? Meu grande amigo Abel Alves escreveu em sua coluna recente sobre HDs :
” O tempo médio entre falhas teoricamente mede a quantidade de horas ininterruptas que o disco rígido deve funcionar sem problemas. Na verdade, o MTBF, é uma medida de confiabilidade do HD.” . Um HD com MTBF de 500.000 horas não deverá falhar por mais de 50 anos em média! O Abel está certo, mas será que eu sou um “privilegiado” destruidor de estatísticas? Será que “Gremlins” furiosos habitam minha casa e de noite enquanto durmo dão marteladas nos HDs até que um dia eles não agüentem mais? Será que o barateamento dos HDs, impulsionado pela alta demanda e escala necessárias para atender os vorazes usuários de câmeras digitais de foto e vídeo mais os audiófilos com seus milhares de músicas em MP3, não trouxe consigo uma queda considerável da qualidade?
Ilustrando isso, pesquisei no site da Maxtor pelos HDs para Desktoppara meu espanto os HDs não têm mais apresentado nas suas especificações o MTBF!!! Achei no lugar desta informação um tal ARR-ANUALIZED RETURN RATE) que apresenta um valor menor que 1%. Isso significa que 1% dos drives dão defeito em um ano. ISSO É UMA QUANTIDADE ABSURDA DE ERROS na minha opinião. O próprio fabricante está admitindo isso! Se duvidar (eu duvidaria) confirme aqui (um PDF com as especificações do Maxtor 500 Gbytes) que a propósito explicita que o Component Design Life é de 5 anos.
Em 1992 eu comprei um HD IDE Quantum de 240 Mbytes pelo qual eu paguei na época um preço estratosférico, US$ 670!! Este HD esteve em uso até seis meses atrás no micro de minha tia e só foi aposentado por incapacidade total de aproveitar seu espaço e velocidade. Eu o joguei fora com ele ainda operacional.
Terei sido eu vítima de uma incrível seqüência de má sorte ou os HDs que supostamente deveriam ser mais robustos hoje em dia na verdade não o são? Só para esclarecer, eu não movimento meus PCs com eles ligados, não dou murros na CPU quando algo dá errado, nem quando levo surra do meu filho no GP4. Também meu filho menor não brinca de carrinho com meus HDs que estão momentaneamente sem uso! Tenho estabilizador e no-break.
O que tem acontecido? A qualidade e confiabilidade dos HDs está menor?
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