As empresas no Brasil se mobilizam em prol de mudanças na maneira com qual a segurança cibernética é abordada no País. Entre elas, estão a Alog do Brasil, o banco Banrisul, o Ministério Público Federal, Kaspersky, Netshoes, entre outras. A iniciativa é um apoio a William Beer, especialista em cibersegurança da consultoria Alvarez & Marsal, autor de um manifesto citando os pontos em que o Brasil é deficiente e propor algumas iniciativas para mudar o cenário local.
“Eu tinha um pouco de frustração por ver um mercado atrasado aqui no Brasil, ver o pouco foco dos executivos e também do governo no tema cibersegurança. Então, decidi escrever duas páginas de manifesto e completei com informações passadas por algumas empresas e amigos, obtendo um feedback muito positivo”, explica Beer.
O texto do executivo ressalta os problemas que a falta de preocupação com cibersegurança pode trazer a uma organização, desde o risco de ataques e invasões até perdas de propriedade intelectual e fraudes generalizadas. Na visão de Beer, tais problemas contribuem para elevar os custos dos produtos e serviços.
“No exterior, trabalhei muito com exercícios de simulação para ajudá-los a entender que a cibersegurança pode afetar suas vendas. Quando se fala de cibersecurity, e honestamente acho que esse seja um problema do setor, fala-se de ataques, do problema, de tecnologia, mas não se fala do impacto aos negócios”, teoriza Beer.
De acordo com o executivo, os investimentos em segurança também podem ser usados como valor de negócio, visando um aumento nas vendas de seus produtos, e não apenas como uma função básica da solução ou serviço adquirido.
As mudanças sugeridas por Beer estão divididas em quatro categorias: formação de líderes experientes em segurança da informação, melhorias da privacidade e maior colaboração com o setor público, sanar escassez de proficiência em cibersegurança e transformar as pessoas na primeira linha de defesa.
Segundo Beer, para atingir os objetivos, será necessária a colaboração de organizações e associações para apoiar e motivar os líderes a se engajarem mais no tema. Além disso, ele afirmou que também é preciso uma cobrança maior por parte do Governo Federal.
“Sem regulamentação forte pro setor ou leis nacionais, vai ser complicado criar e estimular essas discussões com os executivos. Leis e regulamentos são fundamentais para que eles passem a realmente fazer alguma coisa concreta. Será um caminho longo, a mudança não será imediata, mas acho que poderá ser acelerada usando experiências concretas que deram certo no exterior”, concluiu.
Confira a íntegra do manifesto através do site oficial.