O mercado brasileiro de telefonia celular não comporta o aparecimento de uma nova operadora de abrangência nacional que venha disputar espaço com as quatro existentes hoje – TIM, Vivo, Claro e BrT/Oi -, a não ser que seja inserida alguma alteração significativa na configuração, afirma o presidente da Teleco, Eduardo Tude, com base em estudo efetuado pelo site especializado em telecomunicações.
“Mas se no futuro a TIM e a Vivo vierem a se unir, por exemplo, uma nova operadora teria chances no mercado doméstico”, disse Tude. “Apenas dessa forma”, concluiu.
E a alteração não está prevista. A fusão entre Oi e Brasil Telecom é complementar, não altera o desenho atual. Mas a presença da Telefónica no bloco de controle da Telecom Italia, ao lado de bancos italianos, poderá evoluir para uma nova situação de mercado no Brasil. “Como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não permitiria a junção de duas teles, elas teriam de devolver uma faixa de espectro de radiofreqüência, abrindo espaço para uma nova tele.
Nextel vem aí
A Nextel é forte candidata a atuar no mercado brasileiro. A Anatel já avisou que vai licitar ainda este ano uma sobra de faixa de terceira geração (H com 10 Mhz) e a Nextel também já tornou pública sua intenção de concorrer. Para o presidente do Teleco, no entanto, a estratégia da Nextel tende a ser de manutenção no mercado corporativo, onda a empresa já atua nesse momento com telefonia móvel.
“Assim também devemos assistir ao aparecimento de dezenas de operadoras virtuais atuando em nichos, como já ocorre nos Estados Unidos e na Europa”, afirmou. Essas empresas alugam tempo de rede de terceiros e oferecem tratamento diferenciado para os segmentos a que se destinam, explicou Tude.
Brasil Telecom e Oi têm, juntas, 20% do mercado nacional, enquanto as demais detêm 25% a 30% cada uma, ou seja, as duas primeiras dispõem de espaço disponível na rede para alugar minutos a possíveis operadoras virtuais. “Certamente o Brasil terá dezenas delas, como já ocorre nos EUA e na Europa”, afirmou Tude.
Há espaço para uma operadora para nordestinos residentes em São Paulo, outra para estudantes, uma terceira para jovens de 13 a 15 anos, e assim por diante. “Usuários desses nichos costumam se sentir mais bem-atendidos mesmo utilizando a mesma rede das operadoras grandes”, comentou Tude.
No Brasil, 47,9% da população são servidos por 4 operadoras móveis, 35,1% por 3 teles, 3,6% por duas, 3,7% por uma única companhia e 9,6% por nenhuma. Esses dados dão a noção exata de que cidade comporta mais uma operadora móvel e quais os municípios que já estão bem-atendidos. A consolidação das teles é presente em todo o mundo. A maioria dos países tem 3 a 4 operadoras abrangentes, não mais.