Mais e mais consumidores estão usando smartphones para
monitorar sua saúde pessoa e ter mais controle sob seus registros médicos e
tratamentos. Uma consequência disso fora da área médica é que a indústria
alimentícia deve prover cada vez mais transparência.
A maneira mais óbvia para isso é via smartphones e tablets –
embora os principais agentes entre os fabricantes de produtos alimentícios
ainda não ouviram esse chamado. Hoje, 41% de seus aplicativos são ligados a
jogos e entretenimento, segundo o relatório mNutrition App Strategy Paper da
empresa alemã de pesquisa Research2Guidance. O estudo relata que apenas 11%
deles são da área de saúde e fitness, enquanto 17% são focados em receitas.
Enquanto isso, pequenos desenvolvedores e empresas alimentícias ofertam
“aplicativos reais de nutrição os quais são úteis para ajudar as pessoas
personalizarem seus hábitos de consumo”.
Os negócios do setor, incluindo supermercados e
restaurantes, precisam impulsionar os aplicativos móveis para educar os
consumidores sobre ingredientes, elementos e químicos usados na produção de
comida, de acordo com a analista Elke Kux, da Research2Guidance.
“O mercado todo é liderado pelo consumidor. Os produtores
alimentícios são relutantes em admitir isso”, ela diz. “Não acho que eles
pensam em ser transparentes”.
Alguns agentes, contudo, estão experimentando. Por seis
meses no ano passado, o McDonalds Austrália permitiu que seus clientes
rastreassem a origem das batatas frutas, hambúrgueres, nuggets e peixe por meio
de aplicativos e QR Codes. A campanha Track My Macca (gíria local para
McDonalds), que incluiu vinhetas para produtores e fornecedores, foi parte de
uma iniciativa de transparência desenhada para conter publicidade negativa
espalhada sistematicamente desde o documentário Super Size Me, de 2004, e pelos
militantes vegetarianos, segundo o Britain’s Telegraph.
A descrença pública também forçou empresas a alterarem seus
ingredientes. O blogueiro norte-americano FoodBabe instigou uma campanha bem
sucedida para impedir que o Subway utilizasse um elemento químico encontrado em
alguns de seus produtos. Em maio deste ano, os organizadores pretendem atrair
mais de 2 milhões de participantes em todo o mundo para marchar em protesto
contra a Monsanto e plantas geneticamente modificadas.
Os aplicativos de nutrição dão aos consumidores mais
informações sobre o que eles estão comendo, defende Elke, e como resultado,
eles pressionam a indústria alimentícia a reduzir o uso químico, melhorar a
qualidade e os benefícios à saúde de seus produtos.
Os consumidores irão impulsionar essa mudança, mas ela não
vai acontecer rapidamente, opina Greg Eoyang, o CEO da desenvolvedora de aplicativos
de saúdeo daVinci. “Definitivamente acredito que irá acontecer. Não acho que
será um caminho tranquilo. Há muitas minas no caminho”, afirma.
Os consumidores já conscientes podem usar os apps de
nutrição para determinar de onde os ingredientes vem e melhor entenderem os
ingredientes artificiais, além contar calorias, sal, gordura, e outros
elementos. Eles podem aprender sobre fertilizantes usados no cultivo, além de
diversos processos. Como resultado, Elke projeta que as empresas alimentícias
serão mais e mais pressionadas para aumentar a qualidade de seus produtos,
diminuindo o uso de elementos químicos.
Essa é uma razão pela qual os agentes de mercados menores,
como glúten free, veganos e outros nichos, dominam o mercado de aplicativos
hoje. “Os valores dos consumidores estão mudando sobre esses nichos”, comenta
Elke. Iniciado pelo crescimento de dietas sem glúten, a demanda por comida
natural e mais sofisticada impulsiona essas companhias menores a se engajarem
com seus clientes via tecnologia.
“Produtores menores podem facilmente ser integrados, uma vez
atualizados sobre a tecnologia”, conta Elke. Por exemplo, no mercado de grãos
de cacau, os consumidores podem escolher consumir marcas que importam o produto
de pequenos produtores rurais no Equador.
Em restaurantes, consumidores criarão refeições
personalizadas, combinando os itens de acordo com seus elementos nutricionais,
calorias e até preço. O sistema completamente automatizado reduziria o
desperdício, mas também requereria mais flexibilidade na cozinha.
Até companhias de fertilizantes terão que ser mais focadas
no consumidor. “Hoje, pequenos produtores dependem de vendedores para
informação, e chegam inclusive a usar o produto errado para fertilizar suas
plantações, no momento errado”, diz a especialista. “Aplicativos os tornarão
mais eficientes, com melhores colheitas”.
Alguns aplicativos de saúde, como MyFintessPal e o
RestaurantNutrition, já dão esse tipo de informação. Ainda é preciso, contudo,
chegar diretamente aos fornecedores dos restaurantes. Empresas de saúde podem
também buscar a inclusão de dados, espera Elke, à medida que integram devices
pessoais de fitness nos programas dos pacientes. “Eu espero alianças e
parcerias”, conclui Elke.