O poder da mobilidade, proclamado há algum tempo, parece seguir tendência de alta. Ainda assim, nem todos os afetados por esta onda parecem ter se atentado à necessidade de investir em uma estratégia específica mesmo que esteja sob o risco de ver seu negócio afundar. Números diversos mostram a importância do segmento e também dão o tom das corporações que estão na outra ponta da história. Toda discussão deu a tônica da abertura o Engage 2011, evento anual da Webtrends, empresa especializada em web análise. Adrienne Smith, executiva de publicidade móvel do Google, por exemplo, lembra que 70% dos anunciantes ainda não investiram na adaptação do site para o mundo móvel, ou seja, deixam de aproveitar o real potencial desse mundo.
E não basta querer entrar na cena móvel ou acordar e decidir que terá uma aplicação para isso. O conselho é criar uma estratégia forte, com bases e que te permita impulsionar os negócios de sua empresa, principalmente, quando o modelo de negócio acaba sendo, de forma ou outra, mais afetado pelas tendências. “Por que isso é transformador? Se você não muda seu produto, perde oportunidades. Falamos muito sobre a possibilidade de mobilidade canibalizar a era do PC e esta não é pergunta correta, o certo é avaliar como isso afeta o seu negócio e o seu modelo de negócio. Você tem a escolha de destruir ou ser destruído”, provoca Sam Yagen, fundador e CEO da OkCupid, um site de encontros.
Isto realmente pode acontecer. Empresas de mídia, de forma geral, sofreram e ainda sofrem para encontrar um modelo adequado nessa era móvel. Criar um aplicativo bonito, não basta. Como será a monetização? O mesmo ocorre com a indústria de games, encontros ou, saindo da questão da interação e conteúdo, a própria indústria de TI se viu desafiada por esse momento. Levar softwares de análise, ERP, CRM, entre outros para essas telas envolve um trabalho complexo. As fabricantes de hardware, a mesma coisa. Diversos players da era PC tentam, de alguma forma, construir algo para vencer o fantasma móvel. São diversos exemplos, mas só para citar alguns temos Dell e HP apostando em tablet, a Intel desenvolvendo processador que se adéque a essas mídias e, no campo do software, a Microsoft tentando se firmar com o Windows Phone.
No que diz respeito a softwares, a experiência é tudo. Se não for algo simples e fácil, as chances de sucesso são ínfimas. “O consumidor está em cada smartphone ou tablet e são muitos devices conectados e o conteúdo precisa estar em todos lugares. E engajamento está totalmente ligado à experiência que se proporciona. Para se tornar móvel é preciso uma estratégia bem definida, não basta estar lá”, pontua Kunal Gupta, CEO da Polar Mobile, companhia focada na produção de conteúdo móvel.
Tyler Lessard, da Research In Motion (RIM), que também participou da abertura frisou que as oportunidades que a cena móvel traz não estão restritas aos smartphones, mas, sim, ao que está acontecendo e como os devices móveis estão se transformando. “São mídias, app, ferramentas de colaboração e tudo se convergindo neste fenômeno móvel. E é por isso que a indústria está se focando nesta vertente. A noção de como a mobilidade tende a ser abraçada, é enxergar o valor que ela agrega, olhar e ver como era feito no passado e quais são as possibilidades oferecidas.”
E, se sua empresa é uma das afetas e ainda não começou a pensar numa estratégia móvel, não se intimide. Como lembra Adrienne, “ainda não é tarde para se iniciar em mobilidade”. O móvel é praticamente uma extensão de nós mesmos e isso faz toda a diferença, comenta a executiva do Google. “Você se conecta com seus amigos, trabalha, faz fotos e, por isso, o comportamento móvel tende a ser mais personalizado.”
*O jornalista viajou para São Francisco a convite da CLM