A digitalização da segurança pública mineira figura entre os projetos que a Motorola planeja conquistar ao longo do ano, período considerado fértil em negócios por se situar no meio de mandatos políticos de governos federal e estaduais de 2007 a 2010, quando ocorrem os desembolsos.
O recém-nomeado vice-presidente para Cone Sul na área de vendas e serviços a governos e mercados corporativos da Motorola, Eduardo Stefano, inclui o governo de Minas Gerais entre os seus potenciais clientes. “Estamos participando da licitação da digitalização da segurança pública, que vai começar por Belo Horizonte e, ao longo de três anos, estender-se pelo resto do Estado”, afirmou.
O edital está na praça no valor de R$ 150 milhões. As empresas interessadas deverão apresentar propostas até março e a definição das ganhadoras será no 2º trimestre.
O fornecimento da digitalização da segurança pública não é novidade para a empresa de capital americano, que já o implantou na polícia paulista, equipada com sistemas de rádio similares aos da polícia dos Estados Unidos, país onde está sediada a matriz e mercado no qual é líder absoluta.
Depois de digitalizar a polícia de São Paulo, chegou a vez de fazê-lo em Sorocaba, Santos e São José dos Campos, e o projeto está em andamento, dentro do contexto de período fértil citado por Stéfano para definir o atual exercício.
A Motorola utiliza duas tecnologias de comunicação por rádio no projeto de digitalizar seguranças públicas. Em Minas, a tecnologia escolhida pelo edital é Tetra e em São Paulo, onde a digitalização avança em direção ao interior, a escolha foi Astro P25. “Temos liderança em ambas, daí porque a empresa está nas duas licitações”.
Há outros projetos de digitalização por ocorrer e dentre os mais importantes já concluídos estão os Jogos Pan-Americanos, em que a Motorola interligou 600 câmeras para monitoramento da segurança. “Deu tudo certo, o que encoraja a empresa a se candidatar à concorrência da Copa do Mundo”, afirmou, referindo-se a 2014.
Stéfano enxerga um funil de oportunidades bastante promissor este ano no mercado. Aqui e nos outros países que estão sob sua gestão – Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai. Seus fornecimentos se voltam não somente à segurança mas incluem empreedimentos de mineração, óleo e gás, transportes e saneamento. Em 2008 houve crescimento de 35% nas receitas mundiais na área que dirige. E a previsão para 2009 é avançar 20% sobre as receitas do ano passado, que estão em torno de US$ 6 bilhões.
Para ilustrar, Stefano cita o projeto de marketing para comunicação por rádio entre juiz e bandeirinhas e quarto árbitro de futebol. “Começou há três anos e acaba de ser renovado pela Federação Paulista de Futebol”, contou. A Motorola fornece o sistema de rádio-comunicação e a FPF expõe o nome da empresa durante o Campeonato Paulista”, detalhou o executivo.
Uma das tecnologias usadas pela Motorola, Canopy, presta-se a interligar escolas, hospitais, polícia e governo de estado. “É o que implantamos em Macaé (RJ) para interligar os órgãos municipais, incluindo área pública para usuários locais”, afirmou. O País tem mais de 15 cidades digitais.
A criação do Rodoanel em São Paulo também se constitui numa oportunidade pois, depois de implantar a infraestrutura de comunicação da Polícia, será necessário colocar novas antenas e novos sítios para que a segurança passe a abranger as áreas do Rodoanel.
A Guarda Civil Metropolitana também é cliente da Motorola, que conquistou em dezembro o contrato para equipar de antenas e sítios repetidores de radiocomunicação o município de São Paulo, no valor aproximado de R$ 20 milhões. “Um grande benefício desse projeto é a posterior interligação da Guarda Civil com a Polícia de São Paulo. Hoje as duas não são integradas, o que impede que os serviços possam ser ágeis e o atendimento às ocorrências eficiente”, disse Stefano.