A Nestlé usa a plataforma de programação Genexus desde 1995, quando desenvolveu seus sistemas desde back office como faturamento integrado, até mesmo para sistemas de BI, feitos posteriormente. O Genexus sustentou a operação, inclusive, durante o bug do milênio, que ocorreu sem falhas na companhia. Cerca de dez anos depois disso, por uma determinação da sede na Suíça, a Nestlé Brasil teve que unificar todo seu software com a implantação do SAP – e eliminar o legado construído com anos de trabalho.
Ainda assim, não é possível adotar o software da gigante alemã para todos os processos. O projeto Globe, sigla para Global Business Excellence, prevê busca a larga padronização de dados, processos e sistemas. “Isso não coloca em risco nossa parceria, que nasceu com o Genexus numa época que a gente não tinha como fazer de outra maneira. A decisão de adotar o SAP é mundial, e vamos otimizar e usar o SAP ao máximo. E o Genexus resiste bravamente porque há umas aplicações que a gente não consegue substituir”, contou o gerente de sistemas de controles financeiros da Nestlé Brasil, Edison Beltrame, durante o 11º Encontro Genexus em São Paulo, na última quarta-feira (9).
Os sistemas legados conseguem se integrar com o software alemão. “Existem conectores, interfaces aprovadas pela Suíça, desenvolvidas com o Genexus que eu leio as bases de dados do SAP e só extraio a informação. Não atualizo nada no SAP que não seja no próprio SAP”, esclareceu.
Hoje, em torno de 30-40 aplicações legadas permanecem na Nestlé Brasil, e cerca de metade foram construídas com o Genexus. Um exemplo é o software para fornecedores de leite, a principal matéria-prima da companhia, que contém muitas particularidades as quais são atendidas somente pelo sistema interno.
Desafios e oportunidades
Os executivos da companhia uruguaia Artech, responsável pela plataforma de desenvolvimento, admitem o desafio de ganhar mercado frente a gigantes de software, que padronizam as companhias e tornam a TI menos complexa. Contudo, veem oportunidades sobretudo nas áreas de internet das coisas e desenvolvimento de aplicações.
“Há 30 anos, ouvimos aqui em São Paulo que desenvolver e manter sistemas manualmente é muito caro e cheio de problemas. Isso era um problema muito grande e agora é muito maior. A complexidade é cada vez maior, e nós enfrenamos isso de frente”, expôs Breogan Gonda, chairman do conselho e co-criador do Genexus. Para ele, o principal atributo que coloca a plataforma posicionada no futuro da TI é ser um sistema aberto e colaborativo.
Para o presidente da Artech, Nicolás Jodal, os sensores e internet das coisas representam uma lacuna de oportunidades e desafios para a TI, nos quais o Genexus terá participação. “O futuro da TI, mais que hardware e software que estão em todo o lugar, são dados. E é por isso que estaremos em todo lugar”, disse ele, ao encerrar sua apresentação mencionando beacons e internet das coisas. “Um novo tipo de aplicativos para a Genexus. Até porque, no futuro, o input de dados não será feito como é hoje, por pessoas. Será automático, por sensores”, conclui.