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Exército brasileiro terá treinamento para cibersegurança ofensiva e defensiva

Acordo de Cooperação Técnica com a Cysource ajudará a se proteger de ataques que possam prejudicar empresas e população

Publicado:
25/03/2022 às 07:30
Leitura
5 minutos
Luiz Katzap, gerente de vendas da Cysource e Luli Rosenberg, hacker ético e professor da Cysource
Luiz Katzap, gerente de vendas da Cysource e Luli Rosenberg, hacker ético e professor da Cysource

Quando o assunto é cibersegurança militar, Israel, Estados Unidos, China Coreia do Norte e até mesmo a Ucrânia está se provando, após a guerra com a Rússia, com grandes forças para se proteger, de acordo com Luli Rosenberg, hacker ético e professor da Cysource. Por outro lado, “o Brasil precisa trabalhar muito”, enfatiza.

Para melhorar, Luiz Katzap, gerente de vendas da Cysource, acredita que seja fundamental inserir treinamentos dentro das escolas e universidades. Em Israel, por exemplo, os jovens começam a escrever sobre programação e conseguem inovar usando seus conhecimentos. “Se levássemos esses assuntos para as escolas e universidades e com essa imensidão de vontade de investir em inovação e tecnologia, o Brasil avançaria em todas as áreas”.

Olhando para esse mercado e já com clientes no país, a Cysource passou a olhar para o Brasil como um território estratégico por precisar de muito conhecimento sobre cibersegurança e não ter tanta informação. O resultado é um Acordo de Cooperação Técnica para a capacitação em defesa cibernética aos militares brasileiros. A parceria, intermediada pelo Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), tem duração prevista de 12 meses, podendo ser renovado pelo interesse das duas partes.

O acordo foi assinado na sexta (25) durante evento em Tel Aviv, com a presença do embaixador do Brasil em Israel, Gerson Menandro Garcia de Freitas, e dos representantes da Cysource, Amir Bar-El, CEO e Fundador; Luiz Katzap, Sales Manager; e Shai Alfase, CTO da Cysource também participarão do encontro de forma remota.

Leia também: Jensen Huang: inteligência artificial é um “redesenho fundamental” da computação

“A capacitação é baseada nos dois centros principais do ramo de cibersegurança: ofensivo e defensivo. O ofensivo consiste em treinar pessoas para que entendam como um hacker mal-intencionado atua, quais são as técnicas que ele usa e simular um ataque para antecipar esses agentes e prevenir as entradas. Do outro lado, é sempre monitorar de forma preventiva e proativa, estudando os padrões internacionais (que vão se atualizando) e estar sempre um passo à frente”, resume Luli.

A ideia de conversar com o Exército surgiu de Luiz, que foi militar no Brasil por nove anos. “As pessoas não enxergam que quem trabalha no exército é a população. São jovens que às vezes não têm uma oportunidade e ali a encontram. Nós não formaremos apenas os militares de carreira, a gente também vai proporcionar treinamento para os militares que são da comunidade, que passam um ano no Exército e voltarão para a vida civil qualificados para o mercado de trabalho”, diz.

Cibersegurança militar no mundo

Se antes a sociedade viveu a revolução industrial, hoje presenciamos a revolução digital. A movimentação tornou-se ainda mais rápida com a pandemia do novo coronavírus e muitos órgãos públicos e privados não estavam preparados para isso, culminando em muitos ataques.

“Quando falamos especificamente do Exército, estamos falando de quarteis espalhados. Esses quarteis são como empresas, precisam saber proteger essas infraestruturas, porque há muitos dados muito sensíveis. Caso contrário, elementos miliciosos podem ter acesso a essas informações facilmente”, diz Luiz.

Luli é ainda mais enfático falando sobre a importância. “Nós estamos lutando essa guerra híbrida e os governos estão usando esse conhecimento e capacidade para atacar. Quando falamos de nível militar, toda a população pode ficar em risco”.

Um exemplo seria se a população de três estados do Brasil ficasse sem sistema de hidrelétricas por causa de um ataque malicioso. Quando as infraestruturas críticas param de funcionar, a região vira um caos. E isso é uma coisa relativamente simples de fazer porque as infraestruturas têm sistemas antiquados, de acordo com o especialista.

Quando questionados sobre o que esperavam da guerra na Ucrânia, Luli afirmou ter se surpreendido positivamente com a defesa cibernética da Ucrânia. “Após o início da guerra ficou-se sabendo que a Rússia implementou malwares em máquinas do governo ucraniano, mas não teve o efeito que deveria. Nós vimos um aumento exponencial nos ataques contra alvos ucranianos e, por outro lado, contra a Rússia cresceu somente 4%. Mas muitos grupos, como o Anonymus, se declararam a favor da Ucrânia e conseguiu a Rússia. Então, muitas vezes, o que ganha não é o número, mas a qualidade”.

“Está sendo interessante ver a Rússia não conseguir superar a Ucrânia que está conseguindo se defender e contra-atacar com ajuda de grupos aliados. Os dois lados têm ganhos, conseguem encontrar brechas e divulgar coisas, entre outros, mas é interessante ver que existe esse equilíbrio”, complementa.

A Cysource trabalha bastante próxima ao governo israelense e atua em diversas áreas, incluindo a cibersegurança do escritório do Primeiro-Ministro de Israel, Naftali Bennett. Eles não podem falar profundamente sobre suas ações, mas contaram que em uma ocasião anterior descobrir as técnicas de coleta de informações de um grupo de hackers maliciosos.

Eles tinham em mãos uma vulnerabilidade específica e divulgaram entre si uma lista de empresas privadas e do governo que estavam vulneráveis. “Nós conseguimos avisar as empresas sobre essa vulnerabilidade e como elas poderiam se proteger. Dessa forma, caso eles tenham tentado atacar, não tiveram sucesso”, conta Luiz.

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