O desafio para as lideranças de TI é conectar as áreas, enquanto exploram a tecnologia de Analytics, para permitir a avaliação e relevância de oportunidades de negócios.
O atual ambiente de negócios, marcado pela volatilidade, provocou as empresas a repensarem suas prioridades e estratégias de atuação. Para a maioria das organizações, isso significa reavaliar a qualidade e eficácia dos processos de tomada de decisão, de forma a garantir que todas as ações da organização estejam apoiadas por dados consistentes e avaliações precisas.
Nesse cenário, os CIOs têm um papel essencial a desempenhar. O Gartner recentemente afirmou em um de seus relatórios globais que “quando as organizações têm que navegar para transformar seus negócios, a TI está geralmente no centro do processo. Os CIOs precisam se preparar de forma mais vigorosa para assegurar que a tecnologia auxilie no processo de mudança estratégica”.
Para executar esta tarefa com êxito, os CIOs devem combinar tecnologia com conhecimento daquilo que a empresa deseja atingir por meio de seus objetivos estratégicos. Ou seja, mover o foco de TI em gestão e segurança da informação para a percepção de negócios relevantes. Com isso, os CIOs têm a oportunidade de assumirem o papel de ‘Chief Insight Officers’ – tornando-se relevantes para a realização de negócios nas organizações.
A boa notícia é que os CIOs não precisam começar do zero. A maioria das grandes empresas conta com um bom legado tecnológico para armazenamento de dados. O próximo passo é trabalhar e disponibilizar as informações para as pessoas certas, incluindo o CEO. Isso auxiliará a responder a pergunta: o que de melhor (e de pior) pode acontecer para a organização? Se os CIOs souberem apoiar seus pares e agir de maneira estratégica, então os benefícios serão substanciais para a empresa.
Um bom exemplo disto são as apostas na área de Planejamento de Operações e Vendas, que ainda estão em fase de substituição da abordagem HIPPO (Opinião da Pessoa Mais Bem Paga). Em geral, nesse último caso o que contava era a intuição como fator decisivo. Os CIOs precisam demonstrar que é possível transformar este cenário, desde que incorporem com sucesso a tecnologia de Analytics no processo de tomada de decisão.
Uma barreira típica para a concretização desse cenário é a questão do chamado “desafio de dados”. Pesquisa da Accenture realizada com 600 empresas blue chip do Reino Unido e EUA, revela que 2/3 dos entrevistados acreditam que colocar os dados em ordem é prioridade imediata da empresa. Mais ainda, aproximadamente 40% informaram que os atuais recursos e sistemas tecnológicos impediram significativamente uma análise efetiva na organização.
Por conta dessas deficiências, as corporações encontram dificuldades para prever as tendências do mercado, identificar opções de compra favoráveis ou nutrir talentos em ascensão. Isso significa responder a uma séria de perguntas: como devemos reorganizar os sistemas e processos? Como encontrar as pessoas certas para conduzir a área de Analytics? Qual é a maneira mais eficaz de conduzir os negócios com base em simples percepções?
As empresas de alta performance – aquelas que conseguem mais retorno sobre o capital investido – saíram de períodos recessivos como líderes e sustentaram suas vantagens ao longo do tempo. Estas organizações são exemplos de que exploraram oportunidades, com uso do fluxo de caixa gerado por programas de redução de custos para investir em inovação e criar a própria recuperação.
É necessário, portanto, ir além dos investimentos em relatórios rotineiros com descritivos e análises do passado para lidar com percepções de negócios. Depois do investimento em hardware, software e talento pessoal, as organizações precisam gerenciar funções. O desafio para os CIOs é conectar as áreas, enquanto exploram a tecnologia de Analytics, para permitir a avaliação e relevância de oportunidade de negócios.
Esses são bons primeiros passos. Como Chief Insight Officers, os CIOs têm um papel fundamental no estímulo e sustentação de um novo modelo de negócios, ajudando a definir os processos críticos necessários para entregar percepções de oportunidades de investimento. E, claro, conseguir assim definir as fontes de informação para a tomada de decisões.
(*) Daniel Lazaro, gerente sênior da prática de Analytics da Accenture.