Bate-papo contou com especialistas de mercado e abordou a nova geração de nuvem e sua relação com serviços digitais
A jornada para a nuvem tem se tornado prioritária nas companhias já há alguns anos, mas desde o início da pandemia de coronavírus, o assunto é ainda mais urgente. Um estudo da IBM de 2019 diz que 80% de sistemas legados, informações críticas e aplicações que rodam o dia a dia das empresas ainda não estão na nuvem. Para falar sobre o desafio, o último episódio da temporada de IT ForOn Breakouts foi ao ar nesta terça-feira, 12 de maio, com o tema “Cloud 2.0 : A nova geração da nuvem e sua relação com os serviços digitais”.
O bate-papo recebeu Adriano Tchen, CTO da Alelo; Marcelo Hirata, CIO da IRB Brasil RE; Rafael Tobara, CIO da Sapore; Luciano Faustinoni, CIO da IBM; Auana Mattar, CIO da TIM; Roberto Carvalho, Vice President, Brazil & Southern Latin America da Dynatrace; Eduardo de Carvalho, presidente da Equinix; Pedro Saenger, Vice-Presidente para América Latina da Veritas; e Marco Bravo, Head do Google Cloud Brasil. O debate foi mediado por Vitor Cavalcanti, sócio-diretor da IT Mídia.
A CIO conta que as ferramentas disponíveis em nuvem possibilitaram que mais de 10 mil funcionários da TIM e 1.400 atendentes de call center pudessem atuar remotamente, em home office. “Isso é possível quando a gente tem tecnologia como nossa aliada. Telecom tá no sistema nervoso da situação que estamos vivendo no momento.”, afirma.
Ela conta que a TIM já tinha um programa de nuvem, que foi acelerado para atender os novos desafios impostos pela pandemia de coronavírus. “Esse momento mostra que precisamos acelerar nossas decisões e nos preparar tecnicamente e profissionalmente para a jornada na nuvem. Até pouco tempo atrás, existia muito medo da nuvem e preconceito com temas de segurança, mas hoje, já estamos vendo o contrário.”
Para ele, neste momento há um olhar para a jornada de nuvem no sentido de acelerar processos, mas principalmente sobre melhores tomadas de decisões e adaptações, uma vez que agora, o comportamento do cliente está mudando. “Nós precisamos tomar decisões mais rápidas. Trabalhamos na nossa jornada cloud desde 2017, mas com olhar em eficiência, custo, escala e capacidade. No inicio de 2019, acelerando a transformação digital, mudou o olhar”, diz.
Agora, a companhia foca em como a nuvem, associada a DevOps, pode trazer mais agilidade e melhores soluções para os clientes. “Antes da pandemia a gente tinha um panorama para migrar 70% dos workloads para nuvem pública, agora serão 100%. A pandemia mudou nosso planejamento, a jornada cloud é vital para esse momento em que estamos vivendo.”
Ele conta que até um ano atrás, 100% da infraestrutura da Sapore estava em datacenters. Até agora, a mudança para nuvem já ocorreu em passos largos. “É muito interessante que nessa nuvem 2.0 nós temos muitas funcionalidades que vão acelerar novos modelos de negócio e novos desenvolvimentos. Lá atrás, pensávamos em cloud para evitar DR e reduzir custos. Hoje, o que é interessante é que a gente não precisa mais se preocupar com infraestrutura”, fiz Rafael.
“Tudo o que a gente desenvolveu de novos serviços, produtos e startups adquiridas já estão em nuvem, inclusive utilizando serviços. Estamos mostrando pro board da empresa como isso é necessário, o potencial da tecnologia não só como redução de custo, mas como viabilizador de negócios”, pontua.
A companhia, que já atua há 80 anos, iniciou a jornada para nuvem em 2018. No início, Marcelo lembra sobre quão cético era o mercado em relação a esse tema e como isso mudou com o passar dos anos. “Hoje, quando falamos de nuvem 2.0, vimos que tanto os provedores de cloud quanto as tecnologias aplicadas evoluíram de uma forma tão exponencial que traz pro CIO tranquilidade e leque de opções para analisar e decidir por qual cloud ele deve optar e quais sistemas e aplicações serão migradas para o novo ambiente.”
Para ele, a pandemia acelerou o conceito de cloud no IRB. “Do dia pra noite nós colocamos nossos 1.000 colaboradores em home office, e a empresa experimentou aquele doce muito bacana que nunca havia experimentado. Hoje nós já vemos soluções em nuvem já em compliance com a LGPD, a pandemia acelerou nosso processo e hoje ela é essencial pro processo de transformação digital.”
Ele diz que é possível enxergar o valor que a jornada para a nuvem traz a partir do momento em que missões críticas para a empresa são levadas para lá. “Outro componente importante da nuvem é automação, esteira de DevOps, tornar times ágeis… temos hoje muitas ferramentas para desenvolvedores focarem mais em decodificação do que perder tempo com o que perdiam no passado”, afirma.
Além disso, a evolução para a nuvem permite que a empresa enxergue também outras ferramentas importantes, como integração, plataformas open source e plataformas multi cloud. “Dentro da IBM a gente tem essa jornada, com 50% de migração de aplicações críticas, em que redesenhamos um pedaço da aplicação, ou a aplicação inteira, ou movemos para o novo ambiente.”
Ao falar sobre a onda de investimento em nuvem, que tem crescido de forma inevitável especialmente em 2020, Marco afirma que a prioridade do Google Cloud Brasil é garantir que estejam mais próximos dos clientes, garantindo esta transição para eles. “A gente tem um papel que não é só tecnológico nisso”, garante.
“A situação trouxe para a mesa a necessidade de olhar a equação financeira da nuvem. Tem muito cliente perguntando sobre se a equação fecha em uma emergência, então, trabalhamos para combinar as três partes da equação: tecnologia, indústria e financeira. Combinando isso a gente está dando uma resposta e permitindo que os clientes invistam em novos workloads”, explica Marco.
Eduardo diz que a sociedade hoje tem ferramentas tecnológicas e vantagens que há cerca de dez anos, por exemplo, não existiam, o que faz com que companhias possam continuar operando e entregando valor para clientes mesmo durante um período crítico, como a pandemia de COVID-19.
Para ele, a computação em nuvem, hoje, traz muitas destas vantagens. “Se fizermos uma comparação entre cloud 1.0 e 2.0, a segunda geração cumpre alguns gaps que a primeira tinha. Hoje, podemos utilizar como Platform as a Service ou Software as a Service, o que não era possível anteriormente.”
Para ele, o atual cenário em que o mercado se encontra não se trata de levar todos os processos para a nuvem, mas de repensar arquiteturas para aproveitar ao máximo ferramentas que a nuvem propicia. “Se eu continuar da forma como eu trabalhava antes, eu terei os mesmos problemas de antes, não importa que esteja na nuvem. Para empresas que estão trabalhando na nuvem há mais tempo (a discussão hoje) é sobre nuvens autônomas.”
Embora seja um conceito novo, já virou realidade para muitas empresas que estão na jornada para nuvem há mais tempo. “A nuvem autônoma permite não se preocupar mais com ações do TI do dia a dia, permite ter todo o processo de CI e CD integrado e automatizado”, conta.
O vice-presidente LATAM da Veritas acredita que os desafios impostos pela pandemia estão acelerando positivamente a jornada para nuvem de grande parte das empresas. “Acelerar mudanças não é trocar o destino. O cloud já existia, mas hoje estamos acelerando. Não só cloud, mas Inteligência Artificial, analytics, e todas as tecnologias que vão convergir e acelerar para trazer resultados de negócios, passando a ser um alavancador da transformação digital.”
Para ele, o grande desafio a partir de agora será sobre abstrair dados e tratá-los, levando em conta a LGPD, que entrará em vigor no próximo ano. “Eu acredito que, de fato, estamos seguindo a transformação digital, sem perder o foco do que foi o cloud 1.0, que era sobre rapidez e armazenamento. Finalmente, estamos tratando sobre proteção de dados, abstração e geração de valor ao negócio na nuvem. Nós estamos em um caminho de acelerar o uso de tecnologia, que está fazendo parte das nossas vidas e alavancando as empresas”, completa.