A principal missão da Autodesk é fazer com que pessoas possam imaginar, projetar e criar coisas. Isso envolve desde grandes projetos no setor de arquitetura, engenharia e construção (AEC) – maior fatia de mercado da companhia – passando pelo área de mídia e entretenimento, e chegando a pequenas criações, não necessariamente desenvolvidas por especialistas, com impactos em menor escala. Todos esses perfis fazem parte dos mais de 200 milhões de usuários de produtos Autodesk.

Greg Eden, VP da Autodesk, conversou com o IT Forum 365
Diante de uma enorme quantidade de tecnologias emergentes, essas “coisas” estão evoluindo – a IoT (internet das coisas) que o diga. Tudo é uma questão de evolução e conseguir acompanhar o caminho da inovação. “No começo, passamos pelo momento de migração de projetos 2D no papel para 2D no computador. Na sequência, fomos para a ideia de pegar o design e levar o 2D para um modelo 3D. Hoje estamos na era conectada, em que a IoT faz parte de tudo isso. É a conexão do design e da produção em si”, afirma Greg Eden, VP de marca e comunicação da companhia, em entrevista ao IT Forum 365.
A ideia da empresa é que as pessoas possam fazer o design de um produto (como nas origens da companhia) e de fato criar, em vez de enviar o projeto para produção, como era feito anteriormente. Um exemplo apontado pelo executivo é uma solução criada por um designer em Boston, nos EUA, para auxiliar pais com bebês. No caso, foi desenhada uma garrafa ligada a um sensor no pijama da criança para que, quando o bebê acordasse durante a noite para pedir leite, esse dispositivo já enviava o sinal para a garrafa, que automaticamente esquentava o leite. “Quando o bebê acorda e começa a chorar para pedir leite, a garrafa já está quente e o processo vai mais rápido”, explica Eden. O software utilizado nesse caso foi o Fusion 360.
SaaS e nuvem
Se por um lado as tecnologias impactam os produtos finais e trazem novas modalidades de projetos, elas têm grande contribuição no modelo de negócios para atingir novos mercados e ampliar o alcance das soluções.
Desde o ano passado a companhia oferece software com modelo de assinatura, que permite pagamento apenas pelo uso e deixa de lado a necessidade de compra de uma licença. O Brasil foi o primeiro país a mudar para o modelo SaaS (Software as a service), no início do ano passado – globalmente, o modelo foi implementado oito meses depois, em agosto.
Eden cita três principais razões para a implementação do novo modelo: redução do valor de entrada para acesso ao software; atualização contínua das versões; e padronização do software para grandes companhias que contam com muitos usuários. “O modelo de subscrição é uma tendência para todas empresas fornecedoras de software – Salesforce, por exemplo. As pessoas têm essa expectativa de poder ter acesso dessa forma e também na nuvem, especialmente quem está saindo da faculdade. A expectativa delas é ter o software quando e onde quiser, seja no laptop, mobile ou outro dispositivo.”
Eden destaca que, com cloud, qualquer companhia, de qualquer tamanho, e até estudantes podem ter acesso às ferramentas. “Estudantes podem usar software complexos ainda na faculdade, o que antes era preciso chegar até chegar em uma grande empresa que tivesse um processamento capaz. Todos produtos Autodesk são gratuitos para estudantes, escolas, professores e instituições acadêmicas. Queremos dar às pessoas o poder para fazer qualquer coisa”, pontua.

TOGOTOY: design e criação Autodesk na prática
Na prática
Graças a esse modelo, os estudantes universitários Giulia Pereira (Design Gráfico) e Vitor Akamine (Engenharia Mecatrônica) criaram, projetaram e desenvolveram um brinquedo que tem como objetivo integrar crianças com deficiência visual (baixa ou nenhuma visão) com crianças videntes. Batizado de TOGOTOY, o brinquedo foi modelado em 3D com a ferramenta Autodesk Fusion 360.
De acordo com Akamine, o uso do software de modelagem 3D da Autodesk foi essencial para transformar a ideia em um objeto real e assim dar origem ao primeiro protótipo do produto. O estudante teve contato com a ferramenta por meio de um curso dado pela própria Autodesk na sua faculdade. “O Autodesk Fusion 360 é fácil de manusear e é um software revolucionário, pois permite que a gente faça qualquer coisa. Além disso, o trabalho em nuvem facilitou muito o desenvolvimento do TOGOTOY, uma vez que a integração dos arquivos é muito mais fácil”, explica o estudante que aproveitava o tempo livre entre as aulas para se dedicar ao projeto e usava sempre diferentes computadores nos laboratórios da faculdade. “Era muito prático poder trabalhar com essa flexibilidade”, afirma Akamine.
Realidade Virtual
Outra tendência tecnológica que a Autodesk está de olho para somar capacidades aos seus produtos é a realidade virtual (VR). Nesse sentido, a empresa lançou recentemente o Autodesk Revit Live, que traz uma experiência imersiva para visualização de projetos.
Em meio a um projeto de um prédio, por exemplo, é possível utilizar um dispositivo de VR para conferir cada detalhe e ter a dimensão do trabalho antes da execução.
A companhia firmou parceria com a Microsoft para utilização do HoloLens (dispositivo de VR da Microsoft), mas, segundo Eden, qualquer outro dispositivo é compatível com a solução – até mesmo um cardboard, aplicativo de VR do Google. “É uma forma de entrar no ambiente antes iniciar a produção”, finaliza o executivo.