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O futuro das companhias de telecom

Publicado:
04/02/2008 às 14:33
Leitura
6 minutos
O futuro das companhias de telecom

Antes de falar sobre o futuro, acho importante dar uma recapitulada em como foi 2007. Um dos fatos marcantes foi a disputa entre os mexicanos e os espanhóis para colocar o pé na Telecom Italia. Apesar da decisão também levar em conta diversos fatores não relacionados às operações no Brasil, o impacto seria natural pela participação de todos os envolvidos no mercado local – mais precisamente por causa da operação da TIM Brasil.

Além disso, sem querer assustar, vale lembrar da nacionalização da CANTV na Venezuela, na qual o valor pago à Verizon foi bem menor do que a América Móvil estava disposta a desembolsar. E não podemos esquecer que o Equador mostra que deve seguir o mesmo caminho, tentando cancelar a licença da operadora Porta. Na Bolívia, o discurso de nacionalizar a Entel (Telecom Italia) ficou de lado, por enquanto. No Brasil, o governo continua interessado na criação de uma operadora nacional. Aumenta a cada dia, os rumores da união de Telemar e Brasil Telecom e da possível utilização das redes de energia como backhaul para ligar principalmente os órgãos públicos (escolas, hospitais, administradoras regionais etc.) com acesso banda-larga.

Depois de tanta especulação, a Telemig Celular é agora parte da Vivo. Esta conseguiu resultados positivos relacionados à participação de mercado com o serviço GSM lançado no final do ano anterior. Ela finalmente se tornou nacional e a Oi adquiriu a licença para iniciar sua operação em São Paulo.

Enquanto isso, as operadoras Telefonica e Oi colocaram um pé no mercado de TV a cabo por meio da TVA e Way Brasil respectivamente. A Net Serviços, a Nextel e a GVT continuam investindo em rede e crescendo constantemente. A Net com triple-play nas classes de média e alta renda e a Nextel no corporativo. Apesar de menores do que as incumbents no número absoluto de clientes, elas são maiores em receita média por cliente. A GVT continua empacotando serviços e “roubando” clientes da Brasil Telecom. Mais recentemente, houve a estréia da TV digital e o lançamento da 3G WCDMA pela Claro e a Telemig, ambas utilizando a faixa de 850MHz anteriormente ocupada pelo TDMA.

WiMAX e novas ofertas 

Quando este artigo for publicado, os ganhadores dos leilões das licenças de 1.9/2.1GHz já estará definido. Imagino que como grandes vencedores a Vivo, TIM, Claro com licenças nacionais, Oi e Brasil Telecom nas suas áreas de atuação. Apesar da Nextel ter mostrado interesse, e poderia ser o elemento surpresa do leilão, as grandes – Vivo, TIM, Claro, Oi e BrT – devem ter interesse e disponibilidade financeira maior.  Além disso, acredito que seria mais provável que a Nextel se interesse mais em WiMax que em 3G. Do lado dos fabricantes de rede, a Ericsson e Huawei provavelmente terão um início de 2008 bem ocupado. A Ericsson deve ser a grande implantadora da migração para o WCDMA nos principais mercados, e a Huawei deve ficar com a implantação em mercados em expansão, não só em 3G mas também em GSM.

Motorola e Nortel devem continuar seu foco na oferta de WiMax, que também é esperado para acontecer em 2008. Apesar dos leilões das faixas de 3.5 e 10.5GHz ainda estarem em discussão, certamente terão as operadoras de telefonia fixa (Telemar, Brasil Telecom e Telefonica) como grandes interessadas. Preocupadas com a substituição do fixo pelo móvel ou portátil (3G e, futuramente, WiMAX) e na tentativa de agregar mais valor aos seus clientes – afinal de contas a portabilidade numérica vem por aí – oferecer IPTV é a grande esperança.

Como o aumento da concorrência na oferta de rede de acesso por variadas tecnologias (3G, WiMAX, ADSL, cabo e satélite), o preço ou os modelos de negócios certamente serão revisados. Conseqüentemente, a demanda de backhaul também será ampliada. Abre-se uma oportunidade para as operadoras que investiram em infra-estrutura como provedores de capacidade. Além disso, empresas procurarão por conteúdo como apelo para massificar e fidelizar seu cliente de banda-larga. Não só pela forma como a legislação está se definindo, mas pela própria demanda local de mais conteúdo nacional.

Da mesma forma, fabricantes de equipamentos colocarão no mercado um portfólio maior de computadores pessoais (laptops e smartphones), tornando a experiência da banda-larga pessoal e sem fio. Com isso, os aplicativos de comunicações unificadas (que possibilitam uma identidade única em diversos equipamentos e serviços pessoais) ganharão espaço. Uma outra estratégia das operadoras será aumentar o foco nos clientes corporativos. As operadoras de conectividade vêm melhorando sua oferta de serviços para aquele que constitui definitivamente o segmento mais importante na análise financeira. Porém, começam a entrar em choque com integradores de soluções. A conseqüência será a formação de ecossistemas de provedores de solução.

Só para esclarecer – mas sem me aprofundar -, estou falando de empresas com afinidade maior em criar soluções complementares, como por exemplo Cisco, IBM, Nokia, NSN ou Microsoft, HP, Nortel, Morotola, entre outras. A “diferença” será que as operadoras, integradores e fabricantes terão que criar ou se posicionar em seus clusters para não ficarem isolados no mercado.

Finalmente, a resposta a uma das perguntas mais questionadas pelos usuários e visitantes do meu blog: Quando o iPhone da Apple estará disponível no Brasil? Críticos de plantão, preparem-se. Como sempre, vão me falar que sou pessimista demais. Mas eu acho que não acontecerá em 2008 por alguns motivos: (1) Não acredito que nem a América Móvil ou a Telefonica aceitarão as condições de compartilhamento de receita com a Apple, como foi realizado com a AT&T; (2) A Apple deve ter a Europa e a Ásia como prioridades antes de olhar para o mercado da América Latina; (3) Nem a loja virtual iTunes, que já existe há um bom tempo em vários países para adquirir músicas e vídeos, está disponível no Brasil por conta de direitos de propriedade, uma questão que ainda vai levar um bom tempo para ser resolvida aqui.

Este artigo faz parte de uma série especial, na qual especialistas em TI e telecom antecipam os principais acontecimentos do ano.

* Luis Minoru Shibata é diretor-geral do Yankee Group América Latina

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